Toda a casa se encontrava em silêncio, olhos esbugalhados e presos na televisão, a um "vai passar" de distância de derramarem todas as lágrimas acumuladas no decorrer da temporada. Há qualquer coisa de catártico em F l e a b a g, algo que nos aproxima o mais possível de todas as emoções humanas que tentamos reprimir, de modo a conseguir prosseguir com o dia-a-dia de forma mais eficiente.
Isto é, realmente, uma história de amor - e de tragédia, perda e família. Acompanhamos a Fleabag na sua jornada e, nela, vemos um pouco daquilo que é ser-se humano. Rimos com ela, tanto quanto choramos; e torcemos por ela, tanto quanto a odiamos. Nos seus monólogos, em que Phoebe Waller-Bridge olha através da câmara diretamente para nós, são expostas as suas relações e os seus problemas, muitos deles tão semelhantes e próximos ao nossos próprios - porque nada é tão universalmente compreensível como os dilemas do coração (e da carteira).
Como romântica incurável, com uma tendência aguda para a tragédia, vou atrever-me a fazer uma afirmação altamente tendenciosa: é o melhor retrato, alguma vez feito na televisão, daquilo que o amor é. E poderia, com isto, estar a referir-me apenas ao casal que me fez chorar um oceano, porque a dinâmica entre eles justifica todas as recomendações e menções honrosas que faço constantemente e em qualquer oportunidade que surja. No entanto, Fleabag é mais que isso.
Mostra-nos, com sarcasmo e humor, como podemos amar um amigo, familiar, ou namorado(a) e, mesmo assim, fazer asneira - sem que isso signifique que o nosso coração deixe de bater por eles. É uma série para quem guarda o coração na manga e não sabe viver a vida a lume brando. Para quem deseja, com todas as forças que o final seja feliz, mas tem noção que pode não ser.
E tudo bem, porque estamos cá pela história!
♡
Numa altura em que tudo é tão fantástico, surreal e distópico, o melhor super-herói que podíamos pedir é aquele que navega o mesmo mundo que nós e, tal como nós, não faz ideia do que está a fazer. Apenas tenta dar o seu melhor.
Phoebe Waller-Bridge, senhoras e senhores.
(E Andrew Scott!)







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