Sobre dizer «adeus»

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Cresci com filmes bonitos onde um grupo gigante de amigos ocupava o papel principal e nos fazia acreditar que existem famílias escolhidas por nós - à sorte, à toa, por instinto. Essas histórias sempre foram o meu conto-de-fadas favorito e o meu desejo secreto às estrelas cadentes que fui apanhando em noites de verão: queria o meu lugar, as minhas pessoas, uma segunda casa longe de casa. E, como todos os pedidos feitos ao génio da lâmpada, quando se tornam realidade cobram um preço que nos leva ao desespero. Neste caso, o dia da despedida

É possível que já tenha chorado demais, nestas últimas 24 horas; que tenha desejado uma máquina do tempo; que tenha implorado por um abraço cinco segundos mais longo - não sei lidar com o conceito de dizer «adeus» e acho que o amor e a amizade são mais divertidos quando são distribuídos descaradamente e em quantidades industriais. Descobri a minha tribo quando, por obra do destino, nos cruzámos todos num pequeno cantinho do mundo e recuso-me a aceitar que foi por acaso - é impossível ter sido uma coincidência quando é o mais perto de magia que já vi acontecer. 

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E é sobre diversão e corações partidos. Sobre jantares improvisados e maratonas de episódios antigos de «Pesadelo na Cozinha». Sobre jogos de cartas onde alguém faz uma birra e caminhadas por trilhos perigosos e duvidosos. Sobre idiomas próprios e joelhos feridos graças aos carrinhos de choque. Sobre fofocas às duas da manhã e perguntas parvas às seis e meia da madrugada. É a nossa fábula de princesas, reis, feiticeiras, superheróis e bobos da corte, onde ao longo de um milhão de páginas aprendemos que somos mais felizes quando temos alguém que acredita na melhor versão de nós próprios e nunca nos abandona quando estamos demasiado cansados e só sabemos ser a pior. 

É uma da manhã e continuo um caco, porque não sei despedir-me nem quero. Por isso, muito obrigada: por cuidarem de mim, por me ouvirem, por me fazerem rir, por serem uma família que me ajuda a carregar os pesos que eu sozinha não consigo. Sou a versão mais transparente de mim quando vivo nesse conto-de-fadas criado por nós, em conjunto. 

Mal posso esperar pela sequela. Onde conquistamos o mundo e fazemos um churrasco no final.

Com todo o meu amor,
Um "grande barrete" para vocês, porque "são gajos"

Para o Bernardo, a Erika, a Márcia, a Lara, o Ricardo e a Ana Rita


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