Folklore, Taylor Swift
23:13:00(Escrito para a cadeira de Média e Crítica Cultural - Mestrado em Média e Sociedade)
Foi de surpresa que, a 24 de julho de 2020, Taylor Swift lançou o seu oitavo álbum. Sem avisos prévios, ou campanhas de marketing elaboradas, Folklore apresenta-se como um conjunto de dezasseis temas poderosos, sensíveis e carregados de mensagens escondidas por entre letras escritas pela artista. O projeto, criado inteiramente durante a pandemia de Covid-19 e produzido por Aaron Dessner e Jack Antonoff, é acompanhado por um documentário na plataforma de streaming Disney+, que proporciona aos fãs de Taylor a possibilidade de conhecer todo o processo que deu origem a Folklore.
«Inesperadamente, comecei a escrever o novo álbum, e nesse momento pensei “Estou só a escrever músicas durante a quarentena”, e depois rapidamente tornou-se um álbum muito depressa e de uma forma linda e surpreendente.»
– Taylor Swift, Disney+ «folklore: as sessões no estúdio long pond»Quebrando ligações com a cultura pop, devido à inexistência de singles e à suavidade e melodia das faixas, Folklore é um produto dirigido aos fãs de indie rock, que facilmente se verão representados nos instrumentais e narrativas exploradas no decorrer dos 63 minutos de duração do álbum.
Gravado em várias localizações: estúdios improvisados, instalados na casa da cantora e respetivos músicos, surgiu da sensação de impotência e apatia que Swift enfrentou durante o período de confinamento, o que levou a uma necessidade de reinventar conceitos e explorar novas fronteiras musicais. É o encontro entre a ansiedade provocada pela incerteza, aliado à libertação que ocorre quando não existe pressão.
«Um dos motivos pelo qual me diz tanto é, porque na derrocada dos sistemas de vida que conhecemos na pandemia, ficamos com duas opções. Ou nos agarramos a isso e tentamos que resulte, ou dizemos “Bem, acho que vou traçar um caminho novo.”»
– Jack Antonoff, Disney+ «folklore: as sessões no estúdio long pond»
Liricamente, Taylor serve-se de personagens e mitos para desenvolver a sua história – confidenciando que Rebekah Harkness foi a inspiração para a faixa número 3, «the last great american dynasty» -, nunca tendo medo de exibir emoção e vulnerabilidade, chegando inclusive a atribuir-lhes a beleza e importância que possuem, enquanto componentes da arte, do ser humano e da vida.
Folklore é a vitória da simplicidade, durante uma era profundamente excêntrica da indústria musical. As peças gráficas que acompanham o disco são minimalistas e (ainda assim) icónicas, encontrando-se em sintonia com todos os métodos de composição e promoção do produto. Fica, portanto, assim provado que menos é mais – pelo menos, é isso que diz Folklore, o vencedor do Grammy de Álbum do Ano.
«Ainda bem que o fizemos [o álbum], porque afinal toda a gente precisava de chorar. Tal como nós.»
– Taylor Swift, Disney+ «folklore: as sessões no estúdio long pond»



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