tales of a college student
23:26:00
Há muitas coisas que ninguém te diz sobre a universidade - daí os infinitos vídeos de Youtube e entradas de blog com esse mesmo título -, o que justifica o facto de, na sua maioria, os jovens portugueses (falo por nós, que lá fora não sei como é) chegarem aos 17 anos com as expectativas em alta e a sensação de borboletas na barriga enquanto preenchem as seis opções que a DGES permite. Spoiler alert: podem não ser os melhores anos da vossa vida. Também podem não ser os piores. Podem ser só uns anos da vossa vida, razoavelmente avaliados no meio dos restantes - e digo isto sem saber ao certo como é que se avalia quais foram os melhores anos de uma existência inteira (devo ter faltado à aula onde se distribuíram os critérios). E podem arrepender-se do curso que escolheram, ou da universidade em que entraram. Ou podem não ser compatíveis com a vossa turma, ou com a vossa nova cidade. Por outro lado, podem descobrir a vossa vocação profissional. E o amor da vossa vida.
Como absolutamente tudo na vida: é relativo.
Uma coisa que aprendi entretanto é que não posso basear as minhas expetativas nas vidas de outras pessoas, porque eu não sou elas e, quando uma mudança está prestes a ocorrer, o melhor é esperar por ela de coração aberto, como quem diz "espero que seja assim, mas se não for eu desenrasco".
Na verdade, a vida de estudante universitário tem o seu quê de charmoso e poético, porque nos força a dizer "olá" ao nosso lado mais Fernando Pessoa e a criar o heterónimo de quem somos quando não estamos em casa. Como se aquela pessoa que vai às aulas, vive s o z i n h a e dorme sestas de quase doze horas fosse alguém completamente diferente daquela que sai à rua com os amigos de infância e encontra primos afastados no café da terrinha, quando vai comprar um pacote de pastilhas. E essa vida dupla é das coisas mais fascinantes que recebemos quando a caixa de entrada do e-mail nos diz onde é ficámos colocados (e depois lá vamos todos contentes partilhar no Facebook), porque é uma prova real que podemos ser mais que uma coisa.
Porque, ao final do dia, seja a tua experiência no Ensino Superior boa, ou má - tu és tudo aquilo. Tu conheces todas aquelas pessoas, tu vives todas aquelas realidades, tu exploras todos aqueles lugares e tu enfrentas todas aquelas situações.
E essa complexidade narrativa é fascinante.


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