My Own Private Idaho, 1991

18:41:00


"«O meu Idaho privado» é um lugar imaginário, onde um está nos braços do amor - isto é, seguro e livre" - Amy Taubin, The Criterion Collection


Lançado em 1991 e estrelado por Keanu Reeves e River Phoenix M y   O w n   P r i v a t e   I d a h o   conta a história de Mike e Scott, dois prostitutos que se unem numa viagem até Itália, em busca de Sharon, a mãe desaparecida de Mike. Escrito e realizado por Gus Van Sant, é considerado um marco do cinema queer

Mike Waters (River Phoenix) é um jovem sem-abrigo, que sofre de narcolepsia e tem a procura por amor e afeto como o seu principal propósito de vida. Por outro lado, Scott Favor (Keanu Reeves) - cuja história foi baseada na peça Henry IV, de William Shakespeare - é filho do presidente da Câmara de Portland e o herdeiro de uma pequena fortuna. À semelhança de Hal (personagem em que foi inspirado), pretende explorar e abusar da sua liberdade, até ao momento em que as suas responsabilidades não lhe permitam mais fazê-lo.

Os dois melhores amigos embarcam numa longa jornada, tentando encontrar a família de Mike. Pelo caminho, corações partem-se, perguntas são respondidas e decisões tomadas mudam a vida dos protagonistas.


Este filme é - à falta de melhor termo - mágico. Entre a história, a fotografia, os atores; cada pormenor está harmoniozamente alinhado na mesma direção, com o objetivo de provocar quem está a ver. Não é confortável, em momento algum, e mesmo assim consegue ser reconfortante, porque, mesmo que não se consiga perceber (ou partilhar) as circunstâncias, nada é mais violentamente cru e humano do que a necessidade de pertencer a algum lado, ou a alguém

A vulnerabilidade de River Phoenix - de quem partiu a ideia de tornar Mike num membro da comunidade LGBT e transformar a dinâmica entre as duas figuras centrais numa história de amor - marca o compasso do filme. É um filme sobre fragilidade e delicadeza e ninguém é melhor a dar vida a sentimentos que River - desde o primeiro segundo que estamos do seu lado, sofremos com ele e aceitamos ver a narrativa do seu ponto de vista, porque, mal ele aparece na tela, tudo lhe pertence.



É confuso e desarrumado - num minuto estamos a rir, no seguinte dói o coração - como a vida (e a arte) deve ser. Faz refletir sobre o espaço entre duas pessoas e deixa-nos a desesperar com a crueldade de não nos dar respostas. 

E no final, todos queremos estar do lado do Mike (novamente).

[Ah! E o Flea dos Red Hot Chili Peppers também faz parte do elenco!]

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