☆ Era uma vez: as cinco vozes mágicas na playlist de uma 'cool girl' ☆

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«Diz-me que música ouves e dir-te-ei quem és»

A sentença social mais famosa da cultura contemporânea - no mundo real, quando a Janice e o Ian apresentam a Cady aos grupos da cantina, a fronteira entre quem ouve One Direction e quem prefere Ludovico Einaudi está bem marcada, com a mesa d'As Plásticas no meio (palmas para ti, se percebeste a referência) -, que nos faz questionar se toda a nossa identidade pode estar mesmo espelhada num álbum em vinil, arrumado na prateleira da sala de estar.

Acredito que existe uma ligação especial - com um quê de magia - entre nós e uma melodia que consegue dizer tudo aquilo que não somos capazes de organizar na nossa alma. Não nos define, nem nos limita, mas tampouco nos é completamente alheia. É um capítulo da história, a pausa para o momento musical da nossa vida, a hora de olhar dramaticamente pela janela e fingir ser a estrela de um teledisco da MTV, no final dos anos 90. 

«A miúda que quero ser» sempre foi um conceito sonoro, acompanhado por álbuns, temas e mixtapes. Todas as fases por que já passei e todas as pessoas que um dia espero ser têm atracadas a si um perfume e uma playlist - quer abstrata, quer objetivamente documentada em listas de reprodução do Spotify e do Youtube -, porque defendo com unhas e dentes que a vida é mais divertida quando estamos em sintonia com o aquilo que toca nos nossos fones. Chamei-lhe o method acting da vida e entrei mais na personagem do que nunca.


A S   5  V O Z E S   M Á G I C A S   N A   P L A Y L I S T 

☆   D E   U M A   C O O L   G I R L    

As Musas do Hércules na vida real, que escrevem sobre nós sem nos conhecerem e nos fazem chorar, rir, gritar, cantar e dançar sozinhas na cozinha às três da manhã de uma quarta-feira. A companhia em viagens, as ajudantes de concentração nos dias longos na biblioteca e as amigas que nos confortam quando o coração se parte. 

E são irrefutavelmente fixes porque não pedem desculpa por existir, não têm medo de ocupar o seu espaço e trazem para o mundo os pontos de vista que todos conhecem e ninguém discute. E, se é verdade que somos aquilo que ouvimos, deixem-me ouvi-las para sempre

1.   S T E V I E   N I C K S   (F L E E T W O O D   M A C)



A Stevie é uma fada. Não tenho maneira de vos provar, mas tenho a certeza que é. E também não restam dúvidas sobre a melhor companhia em alturas de desgosto: ponham Rumours a tocar, porque ela percebe o que se está a passar melhor que ninguém e faz questão de partilhar o drama e os gritos de raiva com vocês até à hora de se reerguerem, qual fénix. 

E ao som de:

«Now here you go again, you say you want your freedom
Well, who am I to keep you down?»

... tudo fica mais calmo. Tudo abranda. E somos as protagonistas da história, sem dúvida absolutamente nenhuma. Eu voto num mundo em que todos tenhamos um pouquinho da Stevie dentro de nós - menos medo, menos vergonha, mais pózinhos mágicos.




2.   A M Y   W I N E H O U S E


 
 A Amy é a musa que toma conta da nossa confiança - é a que nos faz dançar e cantar com uma energia que não sabíamos ter. É a nossa versão mais divertida e brutalmente honesta, com um eyeliner de três metros e sem vergonha nenhuma de ser, de falar, de brilhar. 

Uma única nota cantada por ela muda todo o nosso estado de espírito e faz-nos sentir a obrigação de ouvir e esquecer o que se passa no mundo exterior. E sim, as nossas lágrimas secam sozinhas, especialmente se Valerie estiver a marcar o compasso.



3.  F I O N A   A P P L E


A Fiona é sobre ter um pequeno toque de mistério em cada detalhe do dia-a-dia, porque, às vezes, as melhores princesas encantadas são as antagonistas do livro. E há nela a audácia das palavras fortes e das essências enigmáticas, a coragem de ser doce e azeda simultaneamente.

«You'll say, "Don't fear your dreams, it's easier than it seems"
You'll say you'd never let me fall from hopes so high
But never is a promise and you can't afford to lie»

Porque, no final do dia, quem nos salva da torre (ou da bruxa, ou do dragão) somos nós próprias. E as nossas asas de anjo estão ligeiramente chamuscadas nas pontas, por isso toquem as sirenes: estamos a caminho.



4.   N O R A H   J O N E S


A Norah é a poesia: pura, bonita e graciosa. É tanto quem está presente quando não sabemos o que vai acontecer a seguir, mas mal podemos esperar por descobrir; como quem toca no fundo da sala quando estamos prestes a iniciar o novo capítulo e as borboletas no nosso estômago estão em festa. 

A suavidade de uma noite de verão, debaixo das estrelas - a contar todas as benções da vida e a sorrir involuntariamente. Ela é uma felicidade tranquila, um porto seguro, uma zona de conforto. 

«And I want to walk with you
On a cloudy day
In fields where the yellow grass grows knee-high»



5.   C A R L A   B R U N I


A Carla é um dia de chuva, quando se está aconchegado em casa. Um par de sapatilhas de ballet, combinados com uma t-shirt de uma banda de rock - a dualidade de ser frágil e estar preparada, a memória distante de uma história inacabada que nos deixa com o fantasma de um sorriso na face.

Uma paragem no tempo, quando ele continua a passar - lá fora, longe de nós. Um copo de rosé, um filme antigo e uns rabiscos incoerentes num caderno velho. A noção que não está tudo perfeito e isso é perfeito - mesmo como tem de ser.



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