dolly alderton: [tudo o que sei sobre o amor] + [estás aí?]

23:56:00


A 14 de Abril - sei isto porque fui agora mesmo verificar - encontrei a sinopse para um livro chamado «Estás Aí?», escrito pela jornalista Dolly Alderton. Enviei o link à minha melhor amiga, comentámos o quanto parecia interessante durante cinco minutos e não voltei a pensar no assunto até o encontrar exposto numa livraria, quando voltava para casa ao final do dia. Se o comprei por impulso? É possível. 

☆   E S T Á S      A Í ?   


«Ghosts», na versão original, é o segundo livro publicado por Alderton, mas a sua primeira obra de ficção. Ficou parado durante algum tempo na minha mesa de cabeceira - pacientemente à espera que eu terminasse os meus compromissos anteriores (leia-se os livros da biblioteca que estavam quase a tocar no prazo de entrega estipulado) -, mas mal comecei o primeiro capítulo, cheguei ao final num piscar de olhos.

É uma comédia romântica no seu estado mais puro, com todos os ingredientes que nos deixam presos a este tipo de narrativas: a protagonista carismática, a cara-metade que tem tendência para borrar a pintura, o grupo de amigos icónico e imprescindível e uma história com uma certa profundidade, mas não demasiada. 

A figura central de «Estás Aí?» é Nina, uma escritora londrina que decide instalar uma aplicação de encontros, após completar trinta anos. O primeiro homem com quem troca algumas palavras, Max, rapidamente a deixa com a cabeça nas nuvens, apesar de todas as bandeiras vermelhas que vão sendo erguidas durante a jornada. Simultaneamente, Nina tem de aprender a conjugar uma amiga casada e grávida que parece não ter paciência para a sua vida de solteira, um progenitor que sofre com uma doença neurodegenerativa e um convite para ser madrinha de casamento do seu ex-namorado de sete anos. 

Ao longo do livro, conseguimos perceber o que a personagem está a sentir - mesmo não estando necessariamente na mesma fase da vida em que ela se encontra - e até racionalizar certas situações frequentes que acontecem à nossa volta e se tornaram banais. O que acontece quando estás apaixonado/a por alguém e essa pessoa te dá «ghost»? O que acontece quando deixas de te identificar com as pessoas que juraste serem as tuas almas gémeas? E também: como é que funciona o amor numa altura em que parece ser necessário um telemóvel para ser feliz para sempre?

É um filme da Kate Hudson em formato de obra literária - e dá mesmo para ver a produção acontecer na nossa cabeça, à medida que vamos avançando nos capítulos. Não é épico, triunfante, revolucionário, ou marcante, mas também não promete sê-lo.

Se existem livros onde é complicado gostar de alguém, aqui é impossível, pelo menos, não compreender absolutamente toda a gente - o que dá um bocadinho de dimensão e realidade a uma história totalmente romantizada e desenhada para nos fazer querer viver lá dentro por uns instantes.


☆   T U D O   O   Q U E   S E I   S O B R E   O   A M O R   


Após a minha review de 4 estrelas em 5 ao «Estás Aí?» decidi que a melhor coisa que me podia oferecer a mim própria por completar 22 anos, seria a primeira obra da mesma autora. «Tudo o que sei sobre o amor» é um conjunto de ensaios sobre a vida e o amadurecimento da Dolly enquanto mulher, escritora, namorada, amiga, filha, etc...

E não estava totalmente errada em achar que seria uma boa compra... mas, ainda assim, estava um pouco. Não adorei a primeira metade do livro e, por esse motivo, levei quase dois meses a terminá-la. Durante as primeiras cento e cinquenta páginas, Alderton reflete sobre uma adolescência onde as suas prioridades foram os rapazes e a bebida, para mais tarde crescer e passar a ser uma estudante universitária cujas prioridades continuavam a ser os rapazes e a bebida

Talvez por não me identificar com o estilo de vida, ou por ficar desagradada com os relatos caóticos, vazios e irrelevantes de uma fase onde ela realmente não sabia nada sobre o amor, sentia-me pronta para desistir do livro e continuar com a minha vida como se nada fosse. Felizmente, Dolly deu a volta à sua vida recorrendo à magia que é a terapia - e nada foi mais divertido e ilucidativo que ler sobre estas consultas e sessões - e voltou o foco para as suas amizades, para a sua carreira e para as suas relações, que já continham em si uma profundidade significativa. Percorri essa segunda parte no espaço de dois dias, porque me soou a algo aconchegante e porque a prosa deixou de estar envolta numa espécie de neblina que nos mantinha a 50km de distância da autora.

Apesar de ser estranho escrever um artigo sobre esta obra - visto ser literalmente a vida de alguém - não posso fechar de outra maneira que com um reconhecimento da coragem que Dolly demonstrou ao ser tão crua e honesta de um modo que, por vezes, tocou o violento. Não teve medo de vestir a pele da vilã, mesmo que estivesse apenas a contar a sua história, e - mais importante que tudo - não teve medo de retratar a sua evolução e processo de autodescoberta. Por essa ousadia, valeu a pena sofrer um pouco durante a *maldita* introdução.

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2 comentários

  1. Gostei muito do "Estás Aí". Fui sem qualquer expectativa e acabou por me surpreender e divertir bastante :) Tanto que fiquei com vontade de ler "Tudo o que sei sobre o amor", mas a premissa do livro ainda me cativou ao ponto de dar prioridade aos outros da lista

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    1. Recomendo muito o «tudo o que sei sobre o amor», mesmo tendo *sofrido* um pouco nos primeiros capítulos!

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