dead poets society: knox e chris, uma análise
02:10:00Tenho uma tendência obsessiva de voltar a ver, inúmeras vezes, filmes que, de algum modo, me marcaram. Para além de repetir a saga Harry Potter até à exaustão, nomes como The Breakfast Club, A Família Addams e a Bonequinha de Luxo são também tópicos importantes na lista de narrativas que nunca perdem valor para mim. Entre eles, D e a d P o e t s S o c i e t y.
Lançado em 1990, conta a história de um grupo de estudantes de Welton - um colégio interno masculino norte-americano - que vê a sua vida virada do avesso, após a entrada do professor John Keating (Robin Williams), um docente que marca pela diferença através dos seus métodos de ensino e que inspira toda uma comunidade estudantil, anteriomente amorfa. Por entre os personagens, que posteriormente formariam o famoso Clube dos Poetas Mortos, estão Neil (um adolescente poético e artístico), Todd (o aluno novo e tímido), Charlie (a alma travessa), Knox (o romântico incurável) e etc... A dinâmica existente entre (principalmente) estes quatro intervenientes é o que, na minha humilde opinião, torna a produção num clássico imperdível. Existe um fio condutor comum, uma história que os une. No entanto, todos têm a sua própria palavra a dizer e caminho a percorrer até ao último soar de "Oh Captain, My Captain".
Knox Overstreet torna-se membro do clube após ouvir o testemunho de Mr. Keating, que lhe afirmou que nada lhe conferiria maior atenção feminina que a poesia. E a verdade é que Knox é um homem numa missão - conquistar Chris, uma jovem que ele conheceu num jantar com amigos de família (Chris é, na verdade, a namorada de um desses amigos). Desde o momento que os seus olhares se cruzaram, que o único traço de personalidade no rapaz é estar apaixonado; perdidamente, plenamente e aparvalhadamente perdido de amores por uma pessoa que só lhe disse... "Olá".
Ao ver o filme enquanto adolescente, a minha reação a este romance foi, provavelmente, aquela que o realizador planeou para o seu público. Há uma espécie de fascínio, ao testemunhar uma paixão tão gigante e tão ridícula ser apresentada num filme com a qualidade de Dead Poets Society - como se fosse uma telenovela produzida por Greta Gerwig - e inicialmente senti-me impedida de sentir outra coisa se não solidariedade, compaixão e empatia por aquele jovem estudante de cabeça nas nuvens. No entanto, voltando a Welton, anos mais tarde, sou capaz de não gostar tanto de Knox como pensava originalmente.
Se Neil, Todd e Charlie entram num estado constante de evolução mal começa o novo ano letivo (e mal entramos nós na história), Knox interrompe esse processo e estagna, porque viu uma rapariga bonita numa festa e resolve redireccionar toda a sua vida, de modo a cumprir um único propósito: deixar de ser solteiro. Nada contra o amor, nenhum problema com narrativas centradas no romance existente entre duas pessoas, mas, ao olhar para o conto-de-fadas destes dois, é importante referir que eu não conheço a Chris - porque, enquanto espetadora, vejo o desenrolar do enredo pelos olhos do Knox e ele também não a conhece. Ao mesmo tempo que o espírito revolucionário desponta em todas as personagens principais, o Knox está demasiado ocupado a perseguir a namorada de um amigo: indo espiá-la à sua escola, envergonhando-a na frente da sua turma, sendo inapropriado com ela enquanto ela dorme, obrigando-a a mediar um conflito entre ele e o seu namorado, afirmando que se não a conseguir conquistar prefere morrer, entre outras...
Chris Noel é apenas um objeto no guião de Dead Poets Society e na cabeça do rapaz que jura estar apaixonado por ela. Eles não têm uma única conversa produtiva, ele não faz ideia daquilo que se passa na sua cabeça, ele não a respeita e ela nem sequer é minimante desenvolvida e explorada enquanto personagem. Não é uma história de amor, mesmo que alguém tenha decidido que este rapaz obcecado merecia o seu pseudo final feliz. Na realidade, cada momento que destaca Knox em frente à câmara, tem por detrás uma gigante bandeira vermelha.
«Não» significa Não e se alguém não te conhece é muito improvável que não te ame. Ainda assim, vou provavelmente regressar a este filme novamente, pela piada que os outros três (+ Robin Williams) trazem à cinematografia.




1 comentários
Vi este filme há tanto tempo, meu Deus. Vou muito revê-lo <3
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