romeo + juliet (1996) - baz luhrmann

16:11:00


Tenho a ideia - talvez errada - que toda a gente conhece, nem que apenas superficialmente, a história de  R o m e u   e   J u l i e t a . Escrito por William Shakespeare, que por sua vez se inspirou num conto de fadas italiano, o romance conta a história de um casal de jovens aristocratas de Verona, pertencentes a famílias rivais; o seu amor um pelo outro acaba por guiá-los rumo a um dos finais mais trágicos da literatura

É um marco intemporal no universo das narrativas, conseguindo preservar a sua relevância e encanto até ao século XXI - mesmo sem a leitura da obra, ou a visualização de uma das suas adaptações, o amor de Romeu e Julieta é contado de boca em boca, passando de geração em geração.

Uma das melhores características que rodeiam os dois jovens é o facto de ambos serem completamente abstratos, o que dá a cada storyteller a oportunidade de perceber de que forma é que estes protagonistas se inserem dentro do seu universo, da sua estética, da sua perspetiva pessoal - como se todos nós tivéssemos a residir dentro de nós versões exclusivas de Romeu e Julieta - e garantem ao público toda uma panóplia de diferentes variantes da mesma tragédia: quer seja uma abordagem mais fiel à moda da que Franco Zeffirelli apresentou em 1968, ou todo um novo conto, tal como West Side Story, que nos apresentou os dois amantes mais famosos do mundo disfarçados com os nomes de Tony e Maria. 



B a z   L u h r m a n n  foi o autor da minha adaptação favorita - pela personalidade com que carregou a sua obra. Em  R o m e o  +  J u l i e t , a história é transportada desde Itália até Verona Beach e as duas famílias da alta sociedade transformam-se em dois gangs rivais. As espadas ganham forma como armas de fogo e a Julieta provavelmente compra calças de ganga na Brandy Melville. No entanto, nem uma única vírgula escrita por Shakespeare é alterada no guião. Ali estão, dois jovens dos anos noventa a jurar o seu amor como Romeu e Julieta originalmente o fizeram, séculos antes.

A fotografia é perfeita - é, sem qualquer tipo de dúvida, o filme mais bonito que já vi - e este novo mundo serve que nem uma luva ao desenrolar do enredo. A banda sonora foi a companhia ideal para  L e o n a r d o   D i C a p r i o  e  C l a i r e   D a n e s , que não podiam ter encaixado melhor na essência de toda a produção.




O conceito é brilhante, provando que é possível mudar todo o contexto de uma história quando se brinca apenas com a parte visual. E, como sempre, dei por mim a desejar com todas as forças por um final diferente - menos triste, menos catastrófico -, porque nunca conheci ninguém que não torça para que, um dia,  R o m  e u   e   J u l i e t a  consigam ter o final feliz que tanto merecem e pelo qual esperam há quinhentos anos. 


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