scar tissue - anthony kiedis & larry sloman

19:08:00


Adoro - vezes mil - os Red Hot Chili Peppers (o que é perfeitamente perceptível mal se contem todas as vezes que entrei num monólogo filosófico sobre o John Frusciante). Sou defensora da teoria que afirma que não existe ninguém no mundo mais naturalmente fixe que o Flea, Chad, John e Anthony - quer estejam aos saltos num palco, ou a filmar os seus videoclips estranhos e "fora da caixa". Basta olhar para eles durante um segundo para perceber que fogem a todos os padrões e mais alguns e devem ser donos de uma história de vida que vale a pena ouvir. 

Encontrei o  S c a r   T i s s u e  (autobiografia do Anthony) por acaso, enquanto na realidade procurava por  A c i d   F o r   T h e   C h i l d r e n  (autobiografia do Flea), pensei instantaneamente "bem, como é óbvio, nos próximos dias não vou fazer outra coisa que não ler isto" e, quando dei por mim, tinha percorrido quinhentas páginas em três dias.




Como esperado, o Anthony Kiedis tem uma vida ao estilo de uma estrela de rock - já a tinha mesmo antes de sequer sonhar ser vocalista de uma banda - o que, pode parecer divertido para quem está no momento, mas para um observador exterior e alheio a essa filosofia [ sex, drugs & rock n' roll ] tende a ser difícil de compreender, ou ambicionar. Nascido numa família disfuncional na década de 60, viu a porta de entrada para o mundo das drogas ser aberta na sua infância... pelo seu pai. Conheceu os seus futuros companheiros de banda no secundário e entrou no mundo da música completamente por acaso, aproveitando o seu talento e gosto para a escrita e poesia. 

Não teve muita sorte no que toca ao amor - às vezes por culpa própria - e viu muitos amigos perderem-se para o vício que ele próprio alimentava e cultivava. No entanto, ao escrever o livro, foi sempre o primeiro a apontar os seus erros e defeitos e a expressar os sentimentos de tristeza que o acompanhavam a cada recaída e promessa falhada. 

Para além de todas as histórias que esperava ouvir - a minha reação quando o John se tornou, finalmente, uma personagem de Scar Tissue é a definição de felicidade - foram introduzidos nomes que nunca me passou pela cabeça puderem ocuparem lugar naquelas páginas - Cher, estou a falar contigo. Não posso dizer que fugiu às minhas expetativas, mas ainda assim senti que fui apanhada de surpresa muitas vezes, em parte devido à honestidade excruciante do Anthony. Ler a sua autobiografia dá a sensação de estar com o autor numa sessão de terapia e nunca saber ao certo como reagir àquilo que eles nos está a contar. 




Desde a maneira como ele fala sobre os seus amigos, à forma como caracteriza as suas namoradas e como admira e adora a sua profissão, mesmo que tenha tropeçado nela sem querer, revela ser um trilião de vezes mais suave e tranquilo que o que aparenta e capaz de retirar das suas experiências mais duras e perigosas uma lição positiva.

Para quem abre o livro "conhecendo" um pouco da banda,  S c a r   T i s s u e provavelmente será exatamente aquilo que crêem ser - ainda assim, um palhacinho salta da caixa mistério de vez em quando. 

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