the eight faces of my aesthetic
22:01:00Encontro inspiração em pessoas diferentes, únicas - que têm como hábito pisar a linha, desafiar limites e brincar com a criatividade. Quando o assunto é procurar bocadinhos de mim noutros corações, escolho sempre aqueles mais destemidos - únicos num milhão.
F. S c o t t F i t z g e r a l d
Francis Scott escreve com magia. A
partir do momento que li o primeiro parágrafo da sua autoria, que guardo essa
afirmação como sendo verdade absoluta. Nenhuma palavra é mundana, inútil, vazia
e ele é precisamente o antónimo de “banal”. Mesmo quando me descreve uma
realidade semelhante à minha, mesmo quando os personagens são simplesmente
humanos, mesmo quando os enredos são singelos, mesmo quando a narrativa não é
perfeita, mesmo quando os protagonistas têm defeitos, mesmo quando o final não
é feliz – Fitzgerald é fascinante e nunca conheci em nenhum outro autor tamanho
magnetismo.
O
seu repertório é composto na totalidade por contos-de-fadas. Até quando não é.
Foi
o primeiro escritor por quem me apaixonei perdidamente e, desde o momento que
segurei o Grande Gatsby nas mãos, permaneço num estado de constante
deslumbramento pela maneira que ele possuía de observar o mundo e transmitir
aquilo que sentia à cerca dele.
Se
algum dia existiram criaturas fantásticas no planeta, ele conhecia todos os
seus segredos.
A n g e l i n a J o l i e
O
meu maior desejo, enquanto criança de seis anos, era tornar-me na Angelina
Jolie ao crescer. Ela era a Tomb Raider: a protagonista do filme que via vezes
sem conta e do jogo que não conseguia largar, pelo menos durante os escassos
minutos do dia que não passava a ver o filme.
Foi
a primeira mulher – ainda que enquanto personagem – que vi ter um papel tão
central e importante num mundo masculino. Na minha família, o Indiana Jones foi
colocado a um canto, porque a melhor caçadora de fortunas era a Lara Croft.
E,
nos tempos livres, quando não estava a equilibrar-se sobre uma falésia, ou a
matar vilões, ela era a personificação de classe, graciosidade e elegância – a
Angelina foi a primeira a mostrar-me que uma mulher pode ser tudo aquilo que
ela quiser e ainda hoje, depois de ter visto inúmeras ilusões morrer e me
considerar mais lógica e racional, me é impossível olhar para ela e não a ver
como uma super heroína. É ela quem representa para mim a coesão e harmonia entre a intensidade e a delicadeza. Ela é a linha entre ambas.
K u r t C o b a i n
No
meu mundo, o Kurt foi sempre a definição de “fixe” – mesmo quando apenas o
conhecia através dos monólogos que o meu colega do lado do oitavo ano
protagonizava enquanto eu tentava prestar atenção à aula de matemática.
Na
altura, ainda desconhecido para mim, a sua atitude descontraída, a maneira como
se comportava (sem se levar muito a sério) e a sua postura eram a chave para
todo o misticismo que o rodeava. Ele é naturalmente icónico, algo impossível de
não se perceber à primeira vista.
Mal
entrei no “universo Nirvana”, percebi que não era apenas a sua essência que o
denunciava – a sua forma de ser celebridade
e a sua forma de ser humano refletiam
tudo aquilo que o seu exterior já denunciava.
A
sua música e a sua voz sempre se colocaram numa posição de defesa dos direitos
de igualdade e liberdade da sociedade, sem receio de divulgar uma possível
posição política ou ideológica. O Kurt passou a sua carreira – a sua vida – a
proteger e defender quem mais precisava dele e, ao contrário do comum, não o
fazia por causa de um sentido de dever alheio, ou colocando nas suas palavras
qualquer espécie de esforço extra. Era natural, porque era simplesmente quem
ele era. Era o que ele fazia – e é tudo aquilo que alguém deve ambicionar ser:
inconscientemente boa pessoa; inconscientemente icónico.
A l e x a C h u n g
A
Alexa foi coroada rainha – por mim – mal descobri quem ela era. Aos dezasseis
anos, era a minha maior inspiração durante os momentos que envolviam o processo
de descobrir qual a minha estética e qual a minha maneira de me fazer notar e
representar.
A
ausência de julgamentos e preconceitos na sua essência paralizou-me e maravilhou-me, foi a
primeira pessoa a “dizer-me” que não é preciso um esforço gigante para ser cool
– na verdade, quanto mais a energia gasta com essa intenção, mais longe o
objetivo -, porque na verdade essa energia advém do conforto que cada um possuí
consigo próprio e com os seus interesses e gostos.
A
forma como brinca com a moda de uma forma inacreditavelmente descontraída e
como repudia o conceito de perfeição apresentaram-me ao lado divertido de ser criativa, sem medo de represálias. O assunto não é assim tão sério – é apenas e só sobre ser espontâneo e original
na mensagem transmitida.
H e n r i M a t i s s e
Não
é nada difícil para mim gostar de um artista (pintor, escultor, etc..) –
normalmente adoro quase todas as obras e entidades que as produzem, pela
simples atitude tomada rumo à expressão artistica e à rebelião que vem
associada ao ato de criar. No
entanto, é raro eu adorar um artista.
A
primeira vez que esbarrei numa pintura a óleo de Henri Matisse soube que não
havia volta a dar – é inteiramente possível dividir a minha estética em antes e
depois de Matisse.
Tenho
um respeito gigante por toda a gente que se atreve a expôr e compôr novas
realidades (pequenos mundos que ninguém conhece bem, sem ser o seu autor. Uma
casa, aberta a todos aqueles que nela queiram ficar hospedados, mas cheia de
segredos - revelados a apenas um indivíduo) e o universo que Matisse trouxe até
mim faz-me sentir aconchegada e faz-me achar que continuo apenas uma criança
feliz a viver a vida por entre idas ao jardim e almoços na casa da avó.
Eu
já vivi nas suas obras – lembro-me desses dias – e ele soube eternizar uma nova versão as
minhas memórias.
G e o r g e H a r r i s o n
Não
sei se é possível ter um Beatle favorito – talvez porque os quatro são tão
singulares e essenciais que a escolha se torna completamente abstrata e
obsoleta – no entanto, se os minutos que passo a divagar sobre o George
Harrison significam alguma coisa, é que ele ocupa um lugar de ligeiro destaque
e admiração.
Indiscutivelmente,
o ser humano com mais estilo que já existiu – desde a maneira como se vestia,
passando pela sua atitude e terminando na sua versão única de ser “estrela de
rock”.
Ele
criou o seu caminho, não obedecendo a nenhum esterótipo e escrevendo a sua história
sem medo de ser diferente e atrevido, colocando um pedacinho de si em tudo
aquilo que fazia. Talvez por isso, o meu olhar fuja sempre para ele e para a
sua guitarra e os seus comentários irónicos sejam mil vezes mais engraçados – ele
não tem medo, não pede desculpa e assume a sua essência.
A u d r e y H e p b u r n
Se
eu pudesse ser outra pessoa qualquer, durante um dia, escolhia ser a Audrey
Hepburn, de modo a conseguir curar a curiosidade. Ela continua a representar um
certo mistério para mim – não sei bem como a ler, ou como a interpretar -, não
me julgo apta para imaginar como alguém como ela poderá ter sido: de
que maneira vivia, de que maneira se relacionava com os outros, de que maneira
se comportava quando ninguém estava ao seu redor com uma câmara apontada na sua
direção. Quem era ela na realidade?
Talvez
seja esse enigma eterno que lhe confere aquela aura tão característica de uma
história de embalar – tenho a certeza que a Cinderela, a Branca de Neve, a
Rapunzel, a Bela e o Monstro e todas essas outras histórias foram escritas
sobre pessoas com almas parecidas à de Audrey.
O
seu encanto residia nessa sua habilidade de ser tão espontaneamente secreta e
inacessível – como se a sua forma natural de estar encontrasse paz em ser imperscrutavelmente cativante.
F r i d a K a h l o
Antes
de se conhecer a Frida, já se conhece a Frida. Quer seja pelas flores, pelas
saias compridas, pelas sobrancelhas, pelas cores fortes, pela história de vida,
ou pela arte. Nada nela passa despercebido, como se os Deuses tivesse decidido em
Concílio que aquela mulher inacreditável merecia ser contada e celebrada por toda a gente, ao ponto de ser única e carismática até nos mais pequenos aspetos
da sua vida.
Frida
Kahlo representa para mim a encarnação da força e coragem – a prova de que a
arte, a expressão e a individualidade são características inerentes de um ser
humano e encontram sempre forma de se revelarem ao mundo.
Quando
me lembro de uma mulher como ela, lembro-me que não existem limites para aquilo
que quero dizer, construir, idealizar, imaginar (etc…) e que um dos meus
principais deveres é conseguir manifestar, em todas as vertentes e dimensões de mim que existem, aquilo que me
distingue e me identifica. Lembro-me que a auto-expressão não tira férias – por
mais que chova – e que se torna ainda mais evidente em tempos de crise.
“sunshine
all the time makes a desert” (arab proverb) – o que a Frida significa para mim.










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