trying to cope without movie theaters
18:53:00
O meu dia-a-dia é extraordinariamente a b o r r e c i d o. E a culpa nem é da quarentena, visto que eu já vivia uma rotina de avózinha antes do Covid-19 chegar a Portugal. Quando não estava ocupada com ~ aulas presenciais ~ (i miss you), estava de mala ao ombro a procurar por algum café onde pudesse estudar longe de todas as distrações que estão em casa, perdida por entre as estantes da biblioteca municipal, ou a comprar bilhetes de cinema com uma antecedência ridícula (o pânico de esgotarem é real).
Depois de tantas semanas desta nova realidade apocalíptica estranha, quase todos os planos alheios que ouço para quando chegar novamente uma altura de liberdade segura me parecem aceitáveis. Mesmo que não partilhe da vontade de beijar o chão, compreendo o sentimento. Idem idem, aspas aspas para quem quer aceitar todos os convites e mais alguns, ou desaparecer do mapa durante três meses, mas, caso precisem de mim daqui a uns tempos, procurem em:
(a) bibliotecas
(b) cinemas
(c) a feira de antiguidades da Praça - onde consigo arranjar cópias perfeitas de clássicos da literatura a um euro.
Entre as viagens de carro universidade-casa, que serviam como os maiores períodos de tempo que passava a ler, as idas ao cinema, que eram as únicas vezes que via filmes de seguida (em casa é impossível) e as caminhadas de volta a casa carregada de livros; sinto que sou menos eu do que era antes.
Por isso estou só à espera, pacientemente (qb) pelo momento em que alguém me diga que está tudo bem, para ir a correr à biblioteca (não que faça grande diferença, normalmente sou a única lá), ou a outro lado qualquer.


2 comentários
Esses pequenos momentos - tão simples mas tão importantes para ti - vão tornar-se ainda mais incríveis quando tudo isto passar. Está quase, Matilde!
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