running on empty (1988) - sidney lumet

01:53:00


Estou fechada em casa há, mais ou menos (já parei de contar, era masoquismo), v i n t e   d i a s. No meio de tentativas - algumas produtivas, outras nem tanto - de ocupar o tempo que tenho disponível, rever produções que já achava icónicas pareceu-me uma boa ideia. Porque para quê ver filmes novos, quando posso ver os mesmos dez, trezentas vezes? Portanto, o cenário da história é a minha sala-de-estar em completo silêncio, menos pelo Joker a dançar nas escadas, on his way para ganhar todos os prémios de melhor actor. 

Algures por entre os minutos desperdiçados a tentar perceber se a mãe do Arthur (personagem principal) estava a mentir ou não e a pensar "woooooow Joaquin Phoenix", lembrei-me do irmão mencionado no famoso discurso dos Óscares: R i v e r   P h o e n i x. O que me levou até Running On Empty, um filme de 1988 escrito por Naomi Gyllenhaal e realizado por Sidney Lumet.

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A família Pope é composta por Arthur e Annie - culpados de um bombardeamento na década de 70 - e pelos seus filhos Danny e Harry. O passado dos pais enquanto protestantes anti-guerra (Vietnam) obriga os quatro a fugir constantemente das autoridades: mudando de identidade, história e cidade com bastante frequência. No entanto, ao se aproximar da maioridade, Danny começa a sentir uma vontade de independência e liberdade.

O guião, mesmo não sendo absolutamente brilhante (no sentido em que a história inicial é impactante, mas tudo o que segue após essa introdução parece previsível), foi interpretado pelo elenco de uma maneira inesquecível - sou incapaz de comparar alguém a River Phoenix e ao seu estilo de representar. O modo como o actor se deixou dominar pela sua personagem (especialmente nos momentos em que as barreiras de Danny iam ao chão e o filme assumia um registo bastante emotivo) foi inacreditável e tenho a certeza absoluta que deixei cair uma lágrima ou outra em ocasiões em que isso nem sequer era suposto acontecer.

É claramente um filme dos anos 80: pela sua estética,  pela maneira de apresentar as personagens e as suas relações e pelos diálogos e temáticas. Não sendo icónico por vários motivos (todos menos os que dizem respeito à perfomance de Christine Lahti e do actor que deu vida ao seu filho mais velho [River, again]), continua a ser uma produção de qualidade superior à média. 

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