ter um cartão da biblioteca faz-me sentir em casa
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Como universitária que não estuda na própria cidade, uma questão que sempre formou furacões na minha cabeça é:
Em que momento é que alguém se começa a sentir em casa num sítio novo?
Quando és uma adolescente de dezoito anos que sai de casa, pela primeira vez, para estudar existem imensos fatores - que fogem totalmente ao teu controlo - que exercem bastante influência. As tuas expetativas da cidade nova correspondem à realidade que tens diante dos olhos? Tu e os teus colegas clickaram? E outras quinhentas e uma questões que vão ditar a tua resposta à tal pergunta desbotada e sem graça que é "Então, gostas do curso?".
Na verdade, não faço ideia das condições necessárias para alguém passar de visitante a residente (lamento se pensaram que vos ia ajudar, mas, como na maior parte dos enigmas da vida, vão ter que descobrir este sozinhos), mas sei que um equilíbrio engraçado existe entre mim e o espaço onde tenho de viver - pelo menos se fizer muita questão em ser licenciada - quando dou por mim a ter um novo cartão da biblioteca na mala.
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Sempre me senti mais confortável rodeada de livros e, tendo sido aquela criança estranha que os considerava amigos legítimos e verdadeiríssimos, atribuo um significado adicional ao simples abrir de uma obra pertencente a um lugar novo - com uma história que ultrapassa as palavras que tem lá dentro e está profundamente enraizada na cidade e nas suas pessoas.
Existe um sentimento de familiaridade quando estou perdida entre estantes, sem conseguir decidir qual edição do século XX devo levar para casa - tentando convencer-me que ter a capa bonita não é razão suficiente -, para eventualmente optar pelo conjunto final de livro do F. Scott Fitzgerald + qualquer outra coisa que vou ler depois de terminar o primeiro.


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