Pessoas Normais - Sally Rooney

18:55:00

Antes de mais, queria confidenciar que toda a minha atividade nas últimas vinte e quatro horas se resumiu à leitura deste livro, com pequenas pausas para dormir e comer. Li Pessoas Normais de uma vez, sem qualquer autocontrolo que me pudesse auxiliar às três e meia da manhã, quando o sono atacou fortemente e a teimosia não queria sequer perder tempo a pestanejar.

Conhecia a existência da história, graças aos holofotes que a série e o livro têm apontados para si há cerca de um ano e, devido às inúmeras críticas e opiniões que fui apanhando aqui e ali, construí uma série de expetativas sobre aquilo que a narrativa seria e teria para me oferecer. Não acertei necessariamente, mas também não falhei o alvo por muito. E a verdade é que percebi o motivo da existência de uma comunidade de fãs tão fiel e vasta logo nas primeiras quinze páginas da obra. 

Fazendo uma breve sinopse, Pessoas Normais é um testemunho de amor - Connell e Marianne são dois adolescentes apaixonados que, como todos os outros, têm o hábito de complicar o que é fácil (possuem um talento especial no que toca a esta arte, admito). E, à medida que os páragrafos avançam, Connell e Marianne passam a ser dois jovens adultos que não se conseguem livrar de hábitos antigos. É uma narrativa crua e impetuosa, não há forma de o negar, e a descrição de uma ligação amorosa tão bruta, insensata e disparatada foi algo que apreciei bastante - porque essas características também fazem parte de uma relação íntima e são, muitas vezes, ignoradas quando chega a hora de representar culturalmente a ideia de paixão, amizade e/ou amor. 

A peculiaridade do livro é o facto de ser demasiado fácil odiar os dois personagens que, à partida, seria suposto adorarmos - não me interpretem mal, ambos despertaram em mim um sentimento de compaixão, mas a irracionalidade e impulsividade com que ambos pautam as suas ações e decisões (especialmente quando estas dizem respeito ao outro) são, quase sempre, frustrantes e difíceis de compreender. No entanto, mesmo não morrendo de amores por Connell e Marianne, rendi-me por completo a Pessoas Normais - talvez porque, como me farto de dizer, tenho alergia a finais felizes e ocos -, se há alguma coisa que a história não é, é um conto de fadas meticuloso, perfeito e aborrecido. 

A desarrumação, a realidade e a vulnerabilidade são retratadas como algo que não precisa de ser evitado - como partes da vida que, inevitavelmente, têm atribuída uma beleza intríseca e característica. E isso é novo e importante. Sally Rooney é alguém diferente e eu não poderia entender melhor o sucesso que alcançou. Merece-o, nem que seja por me ter feito ler um livro inteiro em menos de um dia.

“I'm not a religious person but I do sometimes think God made you for me.” - Connell, Normal People
Coração crescendo

You Might Also Like

0 comentários

Popular Posts

Subscribe