Eram duas vezes...

23:20:00

 

«In the life of a rose
I've lived and died 100 times
You've watched me open, bloom, wilt, rot
And start over 
You watch me again, and again, and again, and again»
 
- Sabrina Claudio, About Time


Quando decidi criar um blog - aos 16 anos - eles já tinham morrido. O Youtube era o local de lazer favorito da maior parte dos consumidores de conteúdo online e eu nunca questionei essa preferência - se as pessoas estavam a ficar mais visuais, ou necessitavam dessa componente extra para captar a sua atenção e servir como modo de passatempo estava tudo bem -, optei por entrar no jogo conhecendo as regras e as minhas expetativas eram inexistentes: eu queria escrever porque, para além de querer fazê-lo, precisava e, se ninguém quisesse ler, eu não me sentiria magoada, porque no fundo estava a tomar conta de um cantinho da internet apenas por mim e para mim. 

Este preciso espaço acompanhou parte do meu secundário - sob um nome e um endereço diferentes -, em completo sigilo. Três, ou quatro amigas sabiam da sua existência, mas (se não contarmos com elas) era o meu segredo mais bem guardado. Não por ser pessoal - sempre fui extremamente cuidadosa com o que partilho -, mas porque sempre considerei que ficaria infinitamente mais vulnerável se alguém - que eu conhecesse pessoalmente - lesse uma única palavra escrita por mim. Entretanto, entrei na faculdade, mudei o nome à criança, partilhei o link em TODO o lado e, aquele que era o meu tesouro escondido, passou a ter toda uma outra dimensão.

O facto de (quase) ninguém ter paciência para ler mais que duas linhas e o TikTok ter roubado a popularidade que o Youtube tinha quando eu estava na minha adolescência - e esta tendência na diminuição do tempo de atenção que estamos dispostos a distribuir? - é simultaneamente a minha prisão e a minha segurança. Estou numa pequena bolha e, por esse motivo, o controlo sobre o que digo (leia-se, escrevo), desdigo, publico e apago é total. Ninguém espera que eu continue a mesma pessoa que aos dezasseis anos escrevia sobre séries (que agora não gosto) e tentava desesperadamente compreender como é que funcionava a vida dali para a frente.

Tenho uma mania irritante de mudar - a toda a hora, sem aviso prévio - e querer que as novas versões de mim estejam sempre disponíveis e aparentes em toda e qualquer coisa que eu seja. E por isso: ERA UMA VEZ um blog que começou duas vezes. Porque posso ser uma (mini) adulta, com um curso tirado e o mundo por enfrentar, mas há qualquer coisa em novos começos que nunca perderá a magia.

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