On My Shelf
19:51:00A quarentena de 2020 trouxe de volta os meus hábitos de leitura pré-universidade (antes de perder a vontade de ler por lazer, devido a ocupar os meus dias a ler por obrigação) e fez-me querer ter sempre um olho numa história e o outro na que viria a seguir. No entanto, o meu grau de exigência atingiu níveis preocupantes, sendo demasiado possível, provável e apressado o processo através do qual eu perco o interesse pela narrativa à minha frente - tornei-me intolerante a livros de autoajuda (o que pode ser um pouco preconceituoso, eu sei), devido à sua natureza oca e falta de propósito, bem como a romances que se recusam a atingir o estatuto revolucionário que procuro em todos os enredos reais e fictícios da minha vida.
“In films, we are voyeurs, but in novels, we have the experience of being someone else: knowing another person’s soul from the inside. No other art form does that. And this is why sometimes, when we put down a book, we find ourselves slightly altered as human beings. Novels change us from within.” - Donna Tartt
Dei por mim (re)apaixonada pelo "Clube dos Poetas Mortos" e todo o conceito de dark academia conquistou-me e levou-me até "A História Secreta", por Donna Tartt - uma obra que se encontra no meu carrinho de compras da Wook há demasiado tempo, esperando o dia em que eu deixe de achar ridículo o facto de gastar a maior parte do meu dinheiro em literatura. Por entre visitas à biblioteca, um exemplar gigante de "O Pintassilgo" chamou-me à atenção, não tivesse ele a mesma autora que o livro dos meus sonhos, e veio comigo para casa, como a primeira aposta de 2021.
1. O Pintassilgo: "Theo Decker, um adolescente de 13 anos, vive em Nova Iorque com a mãe com quem partilha uma relação muito próxima e que é a figura parental única, após a separação dos pais pouco antes do trágico acontecimento que dá início a este romance. Theo sobrevive inexplicavelmente ao acidente em que a mãe morre, no dia em que visitavam o Metropolitan Museum. Abandonado pelo pai, Theo é levado para casa da família de um amigo rico. Mas Theo tem dificuldade em se adaptar à sua nova vida em Park Avenue, e sente a falta da mãe como uma dor intolerável. É neste contexto que uma pequena e misteriosa pintura que ela lhe tinha revelado no dia em que morreu se vai impondo a Theo como uma obsessão. E será essa pintura que finalmente, já adulto, o conduzirá a entrar no submundo do crime. O Pintassilgo é um livro poderoso sobre amor e perda, sobrevivência e capacidade de nos reinventarmos, uma brilhante odisseia através da América dos nossos dias, onde o suspense e a arte são dois elementos decisivos para agarrar o leitor."(Wook)
2. A História Secreta: "Um grupo de estudantes inteligentes, excêntricos e rebeldes de uma escola em Nova Inglaterra frequentada por alunos oriundos da nata da sociedade norte-americana, sob a influência de um carismático professor de Estudos Clássicos, descobre um novo modo de pensar e viver, totalmente diferente do resto dos colegas. Só que, quando os limites da normalidade moral são ultrapassados, as suas vidas alteram-se totalmente e para eles torna-se tão fácil viver como matar…" (Wook)
"A Redoma de Vidro" é um dos livros que a Kat, de "10 Things I Hate About You", lê, enquanto se controla para não entrar em discussão sobre igualdade de género. O seu nome (e o nome da sua autora) apareceram muito enquanto trabalhava o feminismo para o projeto final da licenciatura e a sua sinopse faz-me ter ainda mais curiosidade relativamente à vida de Sylvia Plath.
Em dezembro de 2019, comprei "Homo Deus", por Yuval Noah Harari. Em abril, consegui lê-lo. Porquê? Acontece que o livro foi monopolizado por toda a minha família, antes de eu conseguir sequer chegar ao final do primeiro parágrafo. Ainda assim, tendo em conta o atraso, fiquei fã assumida do conceito e ansiosa por pegar em "Sapiens" (esperemos que mais facilmente).
3. A Redoma de Vidro: "I was supposed to be having the time of my life. When Esther Greenwood wins an internship on a New York fashion magazine in 1953, she is elated, believing she will finally realise her dream to become a writer. But in between the cocktail parties and piles of manuscripts, Esther's life begins to slide out of control." (Wook)
4. Sapiens - História Breve da Humanidade: "Recorrendo a ideias da paleontologia, antropologia e sociologia, Yuval Noah Harari analisa os principais saltos evolutivos da humanidade, desde as espécies humanas que coexistiam na Idade da Pedra até às revoluções tecnológicas e políticas do século XXI — que nos transformaram em deuses, capazes de criar e de destruir. Esta é uma obra desafiadora, desconcertante e inteligente, uma perspetiva única e original sobre a nossa História e o impacto do ser humano no planeta." (Wook)
Há qualquer coisa nas histórias de amor «água com açúcar» que não me convence - tenho uma queda pelos romances reais e crus, com tendência para a tragédia. Talvez me tenha deixado enfeitiçar pelo final de "La La Land", ou talvez acredite que se o Rick e a Ilsa de "Casablanca" não puderam ficar juntos, então é porque ninguém pode.
"Cartas a Milena" e "Querido Scott, Querida Zelda" são uma compilação de cartas de amor verdadeiras, escritas por seres humanos reais que terminaram de coração partido e sem um final feliz. Ainda assim, são épicas e a prova de que o amor «a lume brando» não é a única forma de sensação que existe para pessoas de carne e osso. (É possível que esteja obcecada pela entrada em que Kafka escreve «Os teus olhos parecem esperar milagres que eu me sinto honrado e disposto a realizar»).
5. Cartas a Milena: "«A ti, por sua causa e tua, uma pessoa pode dizer a verdade como a mais ninguém, mais até, pode saber a sua verdade directamente de ti.» Talvez como mais nenhum outro, este passo da carta escrita por Franz Kafka em 25 de Setembro de 1920 a Milena Pollak dá testemunho não apenas da intensidade da relação entre ambos — provavelmente, a relação amorosa mais profunda da vida de Kafka —, mas também do extremo de exposição pessoal a que o autor d’O Processo estava disposto no âmbito dessa relação. «Poucos dias antes, a 22 de Setembro, esse extremo expressara-se numa imagem de inultrapassável violência — "o amor é seres para mim a faca com que remexo as minhas entranhas" —, mostrando com clareza como, analogamente à escrita literária e aos textos diarísticos, as cartas constituem para Kafka um meio de exploração o mais intensa possível dos seus próprios e de todos os limites." (Wook)
6. Querido Scott, Querida Zelda: "Through his alcoholism and her mental illness, his career highs (and lows) and her institutional confinement, Scott and Zelda Fitzgerald's devotion to each other endured for more than twenty-two years. This book presents a collection of correspondence between Scott and Zelda Fitzgerald." (Wook)
Quando o assunto são as alterações climáticas, tento seguir as recomendações que fazem de modo a contribuir o máximo possível. Confesso não estar muito informada relativamente ao tópico - o maior passo que dei nessa direção foi assistir ao documentário de Al Gore -, porque sempre foi algo que me deixou extremamente ansiosa e assustada, forçando-me a optar pelo meu próprio conforto, o que pode não ser a opção certa. Ignorar a realidade não faz com que ela se altere e, se em todos as áreas defendo que a informação é poder e responsabilidade, espero que 2021 seja o ano em que retiro a cabeça da areia: começando por ler "A Terra Inabitável" (sugestão do Goodreads que eu acatei).Por outro lado, uma das minhas resoluções para os próximos doze meses, é deixar o ceticismo de lado. - não há nada de engraçado em ser uma pessoa cínica e descrente. Dito isto, assumo que sempre fiz troça da astrologia e neguei completamente a sua validade, mas a verdade é que eu não conheço, nem sei absolutamente nada sobre o assunto (tirando o meu próprio signo do Zodíaco) e a vida é mais divertida quando acreditamos em alguma coisa, mesmo que seja só por 5 minutos. "Planets In Transit" tem a função de me explicar como é que as estrelas me influenciam e eu tenho a tarefa de manter a mente aberta e aprender mais sobre algo que não domino.
7. A Terra Inabitável: "«É pior, muito pior do que pensa», alerta-nos David Wallace-Wells. O premiado jornalista sabe do que fala, há décadas que recolhe histórias sobre alterações climáticas. Algumas delas, no início, pareciam-lhe quase fábulas - como a dos cientistas que ficaram isolados numa ilha de gelo rodeados por ursos polares. Com o tempo, porém, deixou de ver nelas qualquer sentido alegórico. A realidade começou a fornecer-lhe material de reflexão cada vez mais sombrio. Os desastres climáticos sucedem-se agora a uma velocidade e a uma escala sem precedentes na história da humanidade. Ao mesmo tempo, todos os estudos científicos sobre a transformação em curso do nosso planeta apontam num único sentido - o fim do mundo tal como o conhecemos. É pois a partir dos factos observáveis, e das previsões possíveis sobre o modo como vamos viver, que este livro se constrói. Com um enorme sentido de urgência, e num tom que evoca a reportagem de guerra, o autor dá-nos, resumida e analisada, a informação mais relevante de que hoje dispomos. E o que todas as projeções antecipam é um cenário de horror bíblico: morte por hipertermia, por afogamento, por inanição, por falta de água potável, por desastres naturais e epidemias. E não estamos a falar de dezenas de pessoas, mas de milhões. E não estamos a falar no horizonte remoto de 2050 ou de 2100, mas daquilo que espera a nossa geração." (Wook)
8. Planets In Transit: "It crystallises, in simple language, the possible outcomes and effects of planetary influences on us, and encourages the broadening of outlook when trying to assess a chart." (Wook)
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