9 de Janeiro de 2021

21:57:00


Nove de janeiro de dois mil e vinte um começou... com um telefonema de uma amiga. Um "desculpa, acordei-te?" que estragou o meu plano de dormir até tarde, mas me deixou automaticamente feliz - especialmente quando seguido de uma mensagem escrita em caps lock: SABES QUE ESTÁ A NEVAR? E levantei-me num ápice, para olhar o meu querido Alentejo pintado de branco.

O tempo que passei sentada à janela chega a ser embaraçoso: basta cair um floco de neve e fico tão entusiasmada como uma criança. E por ali estive, com um cobertor gigante, um livro, aquela pequena sensação de nervosismo que está presente quando ignoramos responsabilidades e uma pequena rádio sintonizada numa frequência descoberta por obra do destino que passou três vezes Nirvana e me fez cantar em conjunto com How Deep Is Your Love dos Bee Gees.

Há qualquer coisa de etéreo num dia banal e tranquilo, com a televisão desligada e a música de fundo baixinha. O bule de chá preferido da mãe em cima da mesa e a necessidade de escrever mil palavras por minuto de modo a terminar todos os trabalhos a tempo e horas. Com o grupo de Whatsapp a ser aleatório, como em todos os dias que passamos a tentar não pensar no facto de não nos vermos há quase um ano e nos rirmos em conjunto através de um ecrã - podíamos estar lá fora, na neve.

Nove de janeiro de dois mil e vinte um foi...... foi. Feliz e descomplicado. Perfeito sem fazer nada por isso.

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