going home to myself
23:01:00Estou na reta final da licenciatura - os dias em estágio estão a terminar e o relatório aproxima-se dos últimos capítulos - e entre o último parágrafo de um livro e a primeira frase do próximo está uma rapariga (muito) cansada e desesperada por se sentir confortável e em casa. Há tantos despertadores, prazos, documentos e e-mails a precisarem de mim que não me recordo da última vez que fui apenas eu, sem a pressão do mundo exterior. Nessas alturas, regresso a mim através de memórias de sorrisos calmos e momentos tranquilos. Curiosamente, transporto-me para uma versão mais nova de mim que escrevia porque achava divertido e não fazia ideia do que aí vinha.
A o s 1 7 a n o s ... só tinha aulas de manhã. Costumava chegar das aulas de História direta para casa dos avós, ligar Friends e sonhar com o apartamento roxo de sonho. Será que Nova Iorque era tão glamouroso e fácil como uma chávena de café no Central Perk?
Combinava encontros com as minhas amigas, para ver o mais recente episódio de Once Upon A Time - mesmo semi-adultas, descobríamos pontos em comum nos contos de fadas -, porque vivíamos todas a vinte minutos de distância umas das outras e não era preciso uma ginástica de nível olímpico para nos conseguirmos reunir em torno de uma televisão e quatro canecas de chá de canela.
Tinha um dossier púrpura, com uma folha cor-de-rosa na capa onde escrevi uma frase da Elle Woods; porque se eu só pensava na universidade era graças a Legalmente Loira; que continha os meus apontamentos de Português, onde tentava dissecar Fernando Pessoa e todas as suas manifestações. Ouvia James Bay sempre que tinha de estudar para um teste, sabendo que nunca fui capaz de me concentrar em silêncio, e apaixonava-me com a mesma facilidade com que perdia o interesse.
Quando tudo se torna um bocadinho demasiado, lembro-me dessa miúda e do quanto adorei ser ela. Por isso fecho os olhos cinco minutos e volto a abrir um volume já gasto de Harry Potter. Ou escrevo numa caixa de texto em branco só porque me apetece. Ou recordo-me que continuo a ter um mundo de novas oportunidades.


1 comentários
Como te percebo, querida. Há dias em que a vida adulta, as responsabilidades e o stress deixam-nos só com vontade de fugir e voltar atrás no tempo, quando tudo era mais descomplicado. Mas pronto, faz parte, não é? Força nisso, Matilde <3
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