as bruxas de salém - arthur miller

23:56:00


A r t h u r   M i l l e r   foi um dramaturgo americano, nascido em 1915, conhecido por ser autor de diversas peças aclamadas e também pelo seu casamento de cinco anos com Marilyn Monroe. Durante a década de 50, foi acusado de pertencer ao Partido Comunista - durante a Guerra Fria, a difusão dos ideais de esquerda era vista pelo governo dos Estados Unidos como traição (macarthismo) - e considerado culpado por se recusar a nomear outros membros. Mais tarde, a sua condenação foi anulada. 

Por esse motivo, escreveu A s   B r u x a s   d e   S a l é m, uma peça com o objetivo principal de criticar e satirizar essa política norte-americana, considerada por muitos como sendo uma "caça às bruxas" num diferente contexto - servindo-se da história nacional para provar o seu ponto, à semelhança de Luís de Sttau Monteiro e o seu Felizmente Há Luar.

Todas as personagens utilizadas no decorrer dos quatro atos representam figuras reais, ainda que a narrativa tenha sido polida e romantizada. Tendo lugar em Massachusetts, no período colonial, durante a década de 1690, a peça transporta-nos desde as primeiras acusações de bruxaria que ocorreram em Salém, até à morte da figura central da narrativa: John Proctor.

A existência de uma teocracia - governo religioso - levou à condenação de centenas de indivíduos (maioritariamente mulheres) pelo crime de bruxaria. Denunciados por um grupo de jovens corrompidas devido a interesses pessoais - como o caso de Abigail Williams e a sua paixão por um homem comprometido -, ou monetários das suas famílias - rivalidades entre proprietários - As Bruxas de Salém mostra como uma comunidade foi destruída através da existência de um sistema judicial corrupto.

A fragilidade do conceito de reputação, a falta de honra, a hipocrisia presente num sistema religioso, que se devia reger pela máxima de "amor ao próximo" - apenas o ato não estar presente durante a missa/ culto era motivo para desconfiança - e as lacunas gigantes na lei são pormenores tão claramente retratados que chega a ser repugnante e revoltante ler algumas passagens e ter de lidar a sensação de impotência perante tamanhas injustiças propositamente cometidas.

O modo como Arthur conseguiu provar o seu ponto - que, anos depois, a realidade era inacreditavelmente semelhante e ele próprio quase acabou na mesma posição que o mártir que protagonizou a sua história - foi subtil e bastante inteligente.

Brilhantemente escrita - li-a na sua língua oficial e achei interessante o uso de expressões da época (durante as primeiras páginas julguei serem erros ortográficos) -, com especial destaque para os momentos em que o autor faz uma pausa na sua história para falar connosco, como se estivessemos a bisbilhotar e a trocar impressões sobre o assunto.

Incrível.

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