orgulho e preconceito - jane austen
18:38:00Todos os anos regresso a O r g u l h o e P r e c o n c e i t o , como se a história tranformasse algum pormenor consoante as voltas do planeta ao Sol. Nada muda, mas é um facto que a minha reação a ela é sempre diferente - de todas as três vezes que nos reencontrámos. É a parte bonita de uma narrativa de amor bem escrita, sabe comunicar com todas as versões de ti e acompanhar-te enquanto cresces. Nunca se contenta por ser incompreendida e permite-te desviar a atenção de um momento para o outro, de uma personagem para a seguinte, mudando opiniões, posições e preferências sem nunca ter de alterar uma única vírgula.
J a n e A u s t e n fez questão de não escrever uma obra perfeita, fator que a torna num romance sem defeitos, mesmo que toda a gente que participa no enredo seja feito de carne e osso (ou de letras e papel) e não haja nenhuma fada madrinha a encaminhar Elizabeth e Mr. Darcy na direção certa, rumo a um destino traçado à medida exata dos dois.
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E l i z a b e t h é a segunda filha de Mr. e Mrs. Bennet, irmã de Jane, Mary, Kitty e Lydia. Dona de uma personalidade forte e de uma inteligência que a destaca de suas irmãs e amigas, a protagonista é muito rápida a decidir aqueles que caem nas suas boas graças e aqueles de quem apenas quer distância.
M r. D a r c y é um jovem aristocrata, tímido e orgulhoso. Não tendo por costume ser comunicativo, ou tolerante com pessoas desconhecidas, encontra a família Bennet após o seu melhor amigo tornar-se vizinho desta.
Lizzy (como é carinhosamente tratada) e Fitzwilliam têm tudo para não resultar. E não resultam. Até que, no meio de explosões - educadas e irónicas, porque podem estar irritados, mas continuam membros da alta sociedade -, discussões e revelações se vêem obrigados a assumir os seus verdadeiros sentimentos e proteger o outro de todas as maneiras possíveis e imaginárias (sem muitas vezes o conseguirem admitir).
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Sempre torci por eles, é o ponto comum de todas as leituras, ainda que não seja consensual qual aquele que considero ter mais razão - ou estar mais errado. No entanto, as mil voltas que dão à cabeça e as trezentas outras personagens que influenciam as suas decisões são os pontos sob os quais mais me debruço e desespero. Existem dezenas de vozes e caras presentes nas quatrocentas páginas de Orgulho e Preconceito e eu... gosto de quatro. No entanto, essa baixa percentagem leva-me a torcer pelo final feliz com mais entusiasmo e a arranjar todas as vezes um novo foco para a minha indignação.
Por esse motivo, por ser uma história estática e permamentemente em mudança, e por tantos outros, não sei se poderia gostar mais da obra do que aquilo que já gosto.


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