o joaquin phoenix ganhou um globo de ouro e eu esqueci-me de falar no Joker

17:15:00


Fui ver o Joker ao cinema no dia 30 de outubro de 2019 - e sei isto porque utilizo o bilhete como marcador de livros -, depois de sair de uma aula de seis horas (= meio rabugenta). Lembro-me de estar a tentar controlar as expectativas ao máximo, porque meio mundo já o tinha visto e as recomendações prometiam a melhor experiência cinematográfica do universo, comparando até o protagonista - Joaquin Phoenix - a Heath Ledger (e, se há algo que os totós dos superheróis estimam com carinho, é a versão do vilão retratada na trilogia Dark Knight).

O facto de toda a gente conhecer de ginjeira o rival do Batman deu a Todd Phillips a oportunidade de explorar o início misterioso de uma narrativa em que só se conhece o final (pequena pista: de um lado um fato de morcego e do outro uma cabeleira tingida de verde) e ele fê-lo de uma forma incrível. Primeiro, transformou-a num thriller (meio caminho andado para ganhar o meu coração), o que não permitiu a nenhum espetador pestanejar durante duas horas, depois deu um guião estupendo a um artista fenomenal e a fórmula final teve tudo para dar certo - e deu!

Vindo de alguém que já viu O Cavaleiro das Trevas seis ou sete vezes - shame on you, se pensavam que eu não era também uma totó dos superheróis -, posso dizer que, no que diz respeito ao Joker, o enredo desta nova produção me agradou mais, por um simples motivo. O foco está totalmente na personagem de Phoenix. Não há cá homens crescidos vestidos com fatos de Carnaval e orelhas de morcego a lutar contra o crime, visto que Bruce Wayne aparece por dois minutos no ecrã e ainda na sua fase pré-traumas, nem efeitos especiais ridículos que roubam à credibilidade o que querem acrescentar à fantasia. Joker ganhou pontos pela possibilidade de ser real. Pela transformação do simples Arthur no maior vilão que já veio da banda desenhada. 

Como se isso não bastasse, o esquema de cores e a edição estavam em máxima sintonia com a dinâmica das personagens e suas relações - se fizessem um filme de uma hora só com a cena das escadas eu pagava para ver! -, algo que inconscientemente sublinhou a seriedade e dramatismo do filme e os transformaram em algo perturbadoramente apelativo

O Globo de Ouro que Joaquin Phoenix ganhou pelo papel foi mais que merecido. Não sei se outro actor conseguiria elevar esta produção ao nível que ele elevou. 

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