the holy trinity of movie directors

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A melhor característica num realizador de cinema é uma personalidade tão forte e abundante, que se transforma na característica mais significante de qualquer um dos seus filmes. Olho para a sétima arte, como uma forma de contar histórias e destrancar portas para mundos que, de outra forma, nunca poderiam ser conhecidos. 

Dito isto, existe um grupo de criativos que me faz sentir como uma personagem de um conto-de-fadas - ou parte de universo alternativo minuciosamente criado, colorido e organizado para me receber durante hora e meia.  Quando é tempo de me dedicar às suas produções, todo o mundo exterior abranda, acalma e silencia: a realidade passa a pertencer-lhes só a eles

H O L Y   T R I N I T Y   

O F 

M O V I E   D I R E C T O R S 


S O F I A   C O P P O L A 

A Sofia é uma princesa, mesmo sem ter um título real. Os seus filmes são sempre bonitos e estruturados de uma maneira que permite a cada detalhe captado pela câmara expirar poesia e sofisticação. Foi a primeira realizadora que conheci a não temer a sua feminilidade, utilizando-a como arma, ferramenta e meio de chegar ao público.

Assume-se como uma contadora de histórias a outras mulheres e meninas, falando para elas - para nós - com o respeito, admiração e cumplicidade que poucos ousam dirigir a uma assistência, na maioria das vezes, ignorada. 

Adoro as minhas conversas com ela e com os filmes dela, desde a forma como me providencia arte, passando pela liberdade que confere a um diálogo intelectual e refinado, terminando na confiança que transmite ao afirmar que é possível que uma história suave e graciosa valha a pena ser contada. 




T I M   B U R T O N

Não há outro realizador que tenha tanto talento para reformular a realidade como o Tim Burton. O seu sentido de humor é personificado através de uma estética e caracterização completamente oposta, o que confere às suas produções o estatuto de icónicas e inesquecíveis.

Ele não faz filmes para crianças, nem para adultos. Assim como a vida, todos os mundos de Tim pertencem a toda a gente disposta a recebê-los. Muitas vezes sem lógica, dignas de um conto-de-fadas escrito pela Família Addams, as suas narrativas são leves e amigáveis, com personagens criadas para durarem uma vida inteira, sobrevivendo por entre sonhos e salas de cinema. 

O destino perfeito, para quando a realidade fica demasiado aborrecida, previsível, monótona. A prova que as histórias de amor, amizade e família que mais valem a pena têm o seu quê de escuridão e trovoada - algo que só as torna mais interessantes. 



Q U E N T I N   T A R A N T I N O

O Quentin Tarantino adora aquilo que faz - algo que se percebe na primeira milésima de segundo de qualquer filme que seja da sua autoria. Ele é também um ser humano excêntrico e peculiar, de modo que os seus enredos se podem classificar como obras de arte contemporânea... com um guião escrito num rótulo de cerveja, a 5 minutos da gravação.

A autenticidade é tão abundante, que se torna difícil encontrar outra palavra que não fixe para descrever Tarantino. A sua preocupação com a estética é fascinante, nunca quebrando o pacto de lealdade com a cinematografia e o seu talento para relatar eventos é hilariante, complexo e notório.

Com todo o encorajamento para viver uma esquisitisse na sua plenitude e utilizando-a como veículo para a arte - não existe espaço para dúvidas relativas ao autor: se é de Quentin Tarantino tudo o irá denunciar.



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