the holy trinity of movie directors
00:19:00A melhor característica num realizador de cinema é uma personalidade tão forte e abundante, que se transforma na característica mais significante de qualquer um dos seus filmes. Olho para a sétima arte, como uma forma de contar histórias e destrancar portas para mundos que, de outra forma, nunca poderiam ser conhecidos.
Dito isto, existe um grupo de criativos que me faz sentir como uma personagem de um conto-de-fadas - ou parte de universo alternativo minuciosamente criado, colorido e organizado para me receber durante hora e meia. Quando é tempo de me dedicar às suas produções, todo o mundo exterior abranda, acalma e silencia: a realidade passa a pertencer-lhes só a eles.
H O L Y T R I N I T Y
O F
M O V I E D I R E C T O R S
A Sofia é uma princesa, mesmo sem ter um título real. Os seus filmes são sempre bonitos e estruturados de uma maneira que permite a cada detalhe captado pela câmara expirar poesia e sofisticação. Foi a primeira realizadora que conheci a não temer a sua feminilidade, utilizando-a como arma, ferramenta e meio de chegar ao público.
Assume-se como uma contadora de histórias a outras mulheres e meninas, falando para elas - para nós - com o respeito, admiração e cumplicidade que poucos ousam dirigir a uma assistência, na maioria das vezes, ignorada.
Adoro as minhas conversas com ela e com os filmes dela, desde a forma como me providencia arte, passando pela liberdade que confere a um diálogo intelectual e refinado, terminando na confiança que transmite ao afirmar que é possível que uma história suave e graciosa valha a pena ser contada.
T I M B U R T O N
Não há outro realizador que tenha tanto talento para reformular a realidade como o Tim Burton. O seu sentido de humor é personificado através de uma estética e caracterização completamente oposta, o que confere às suas produções o estatuto de icónicas e inesquecíveis.
Ele não faz filmes para crianças, nem para adultos. Assim como a vida, todos os mundos de Tim pertencem a toda a gente disposta a recebê-los. Muitas vezes sem lógica, dignas de um conto-de-fadas escrito pela Família Addams, as suas narrativas são leves e amigáveis, com personagens criadas para durarem uma vida inteira, sobrevivendo por entre sonhos e salas de cinema.
O destino perfeito, para quando a realidade fica demasiado aborrecida, previsível, monótona. A prova que as histórias de amor, amizade e família que mais valem a pena têm o seu quê de escuridão e trovoada - algo que só as torna mais interessantes.
Q U E N T I N T A R A N T I N O
O Quentin Tarantino adora aquilo que faz - algo que se percebe na primeira milésima de segundo de qualquer filme que seja da sua autoria. Ele é também um ser humano excêntrico e peculiar, de modo que os seus enredos se podem classificar como obras de arte contemporânea... com um guião escrito num rótulo de cerveja, a 5 minutos da gravação.
A autenticidade é tão abundante, que se torna difícil encontrar outra palavra que não fixe para descrever Tarantino. A sua preocupação com a estética é fascinante, nunca quebrando o pacto de lealdade com a cinematografia e o seu talento para relatar eventos é hilariante, complexo e notório.
Com todo o encorajamento para viver uma esquisitisse na sua plenitude e utilizando-a como veículo para a arte - não existe espaço para dúvidas relativas ao autor: se é de Quentin Tarantino tudo o irá denunciar.








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