the 8 wonders of my life [another playlist]

18:51:00



É possível escolher uma música preferida - pelo menos até ao momento em que todos os outros temas se juntam em redor e nos fazem perceber que uma banda sonora é feita de diversas melodias e inúmeras histórias. As minhas favoritas ~ o meu grupo de melhores amigos ~, vêm cada uma de seu canto, contam narrativas diferentes e falam comigo em línguas e versões de mim diferentes.

m y   e i g h t   s o u l m a t e s



1. S T R A W B E R R Y    F I E L D S   F O R E V E R 


Strawberry Fields Forever parece um conto de fadas, narrado pelo John Lennon. Uma viagem ao País das Maravilhas na companhia dos quatro melhores seres humanos na história do planeta Terra - destaque para o George, especialmente (because it's me writing this).

A forma do John falar da sua infância e a autoanalisar de uma maneira altamente poética confere a este tema uma magia e brilho inacreditáveis. Saídos diretamente do submarino amarelo para outro paracosmos angelical, com aroma a morango, é a prova que todos temos o nosso próprio universo - e que este pode ser tão fantástico e encantando consoante a nossa vontade e capacidade de o descrever. 

2. J A C K I E  &   W I L S O N 


De entre todas as músicas *obras de arte* do Hozier, Jackie and Wilson é a minha melhor amiga. A história de amor começa com o relato de quem está sozinho e sobrevive por entre crises de identidade - numa espécie de modo de sobrevivência artística e de auto expressão, em busca por todas as versões do "eu" possíveis e imaginárias e as suas diversas manifestações - até ser salvo, na hora limite, pelo amor e conseguir encontrar e expressar a sua verdadeira essência.

Ao dizer que «nunca se sentiu jovem», porque está sempre perdido nas diferentes facetas de si próprio e revelar que o romance perfeito para si é aquele onde construirá um ponto de abrigo, o Hozier encontrou-me refletida nos conflitos e dilemas da música e na maneira como eles conseguem ser desgastantes, mas ao mesmo tempo satisfatórios.

3. O N E   A N D   O N L Y 


Quando chega a altura de falar sobre corações despedaçados... só confio na Adele. A mensagem de One and Only é bonita e reconfortante, mesmo não sendo essencialmente transmitida pelas letra. A melodia equivale à sensação de um abraço de uma amiga, numa altura de lágrimas e soluços.

Estamos em julho, mas é sempre inverno quando carrego no play. E está a chover torrencialmente lá fora. O videoclip tem-me a mim como protagonista, mesmo eu não fazendo ideia do que passava na cabeça dela quando compôs o tema, sinto-o meu e sobre mim

4. A   N I N G Ú N  H O M B R E 


El Mal Querer é dos meus álbuns favoritos, por ser tão puramente da Rosalía: a sua sinceridade, qualidade e estética. A Ningún Hombre é um grito de revolução, uma ode à independência e um modo de vida comprimido num minuto e meio de duração. É sobre não esquecer, não compactuar e rejeitar toda e qualquer forma de conformismo.  

Lembra-me da luta pela igualdade - que é minha, tua (e da Rosalía) -, da fragilidade e inconsistência de todos os testemunhos e da urgência que é tomar uma atitude pessoal e assumir o compromisso de nunca mais ignorar. 

5. H O W   D E E P   I S   Y O U R   L O V E 


Quando o tema em questão são canções românticas lamechas, eu saio porta fora. No entanto, num acontecimento inédito, os Bee Gees conquistaram-me com How Deep Is Your Love. Sem fogos de artifício, estrelas cadentes, ou coincidências predestinadas pelo Cupido - tudo é real, simples e, mesmo assim, digno de ser imortalizado numa balada

Porque estamos mesmo «living in a world of fools bringing us down, when they all should let us be», o que por vezes nos deixa duvidosos e nos faz fazer perguntas parvas para obter segurança e conforto - como pessoas normais que vivem num mundo de idiotas e não recebem sinais vindos de fadas madrinhas. 

6. (T H E Y   L O N G   T O   B E)   C L O S E   T O   Y O U 


Quando a Karen Carpenter começa a cantar Close To You, eu estou em casa - mesmo que esteja a quilómetros de distância. Fico S E M P R E com lágrimas nos olhos e nem sei porquê, qual memória reprimida a manifestar-se. 

Perfeita para um filme de princesas, associo-a imenso à estética meio mágica e inocente do primeiro amor - «that is why all the girls in town follow you around. Just like me, they long to be close to you». As metáforas são fortes e suaves ao mesmo tempo, certas e incertas, adultas e infantis - e sempre belas, etéreas e inofensivas. 

7. H E A R T B R E A K   H O T E L


Heartbreak Hotel é o amor da minha vida há anos, graças ao potencial da sua história - alguém pode realizar um filme com esta premissa, por favor? O Hotel dos Corações Partidos é um estabelecimento, sempre cheio, para onde as pessoas vão curar os seus desgostos amorosos. E onde o se Elvis sente sozinho e deprimido, «so lonely, he could die».

Sempre olhei para o *Hotel* como um lugar de histórias prontas a serem contadas, o sítio perfeito para o nascimento de uma obra de arte (duas, a contar com esta música). Preciso de saber mais sobre ele, conhecer os hóspedes, ouvir os seus desabafos e perceber onde é que eles se interligam - porque todos temos de lidar com um coração partido, de vez em quando, mas cada um é diferente à sua maneira. 

8. N O T H I N G   C O M P A R E S   2   U 


O Prince é estranho - é a sua melhor característica. A sua maneira de falar sobre temas banais é sempre fora do vulgar, porque ele é um num bilião: no seu universo, até a chuva é roxa. Nothing Compares To 2 U é sobre amor - mas um amor vindo do País das Maravilhas, ou da Terra do Nunca, ou de outro mundo brilhante e divino que a maior parte de nós não tem a oportunidade de conhecer.

A letra transmite tristeza, mas a música em si não é triste. Nem feliz. É Prince. É sobre pegar em sentimentos universais e torná-los pessoais, loucos, incompreensíveis. É sobre como a identidade de alguém pode ser marcante e singular em todas as situações, todos os segundos. 

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