little women ou «quase chorei cinquenta vezes, obrigada greta pela obra de arte»
20:23:00
É difícil enumerar todos os motivos que me praticamente me obrigaram a deslocar-me até ao cinema e ver Little Women, começando com:
a) o livro original;
b) Greta Gerwig;
c) Timothée Chalamet;
d) Emma Watson;
e) Florence Pugh;
f) praticamente todas as outras pessoas no elenco, que só não vou enumerar para não transformar esta recomendação na ficha técnica do filme;
g) os figurinos (vencedores de um Óscar);
h) etc.. etc... etc...
É uma narrativa profundamente feminista e atual (infelizmente), apesar dos seus quase dois séculos de existência e a urgência de Louisa May Alcott em transportar o conceito de igualdade de género através das suas personagens (não só da Jo) é comovente e inspiradora. No entanto, até esta adaptação, sempre considerei que a obra e as personagens nunca tinham sido bem representadas, ou fiéis à mensagem original, porque não se apresenta uma história que coloca mulheres contra mulheres como sendo feminista - a Amy e a Jo são irmãs, não concorrentes.
O trabalho da realizadora e guionista tornou a produção inesquecível e distinta, garantindo-lhe a etiqueta de "must watch" para os jovens e adultos de todos os genéros. O impacto de Meg foi indiscritível: observar a Emma Watson - uma porta-voz importantíssima da causa - explicar que o feminismo pretende garantir a todas as mulheres a possibilidade de escolha, mesmo quando essa escolha consiste na formação de uma família, refletiu a necessidade de esclarecimento da sociedade e revelou o sentido de responsabilidade que a Greta possui, aliado ao seu talento artístico e cinematográfico.
A transformação da Amy de vilã para heroína demorou mais de cem anos, mas finalmente estamos perante uma equipa que compreende que pintar uma criança de treze anos como sendo o demónio, porque provoca alguns estragos e tem sentimentos menos positivos, não é correto - que atire a primeira pedra quem não foi um pré-adolescente azedo. A Florence Pugh chegou aos nomeados para o Óscar por demonstrar à legião de fãs de Mulherzinhas que para cada conto existem duas versões e todas as irmãs têm disputas (e que é estúpido escolher lados em discussões familiares alheias), bem como fazê-la aceitar que o Laurie e a Jo não foram feitos para ser um casal.
Introduzir a noção que o conceito de soulmate não tem necessariamente de nos remeter para um nível romântico não poderia ser algo feito por outro par que não a Saiorse e o Timothée - a sua conexão e química é inigualável, porque eles (as suas personagens) são complementos um do outro, mesmo que no final do dia isso não implique que estejam apaixonados e vivam "felizes para sempre".
Little Women é um filme perfeito. As diferenças de luz e cor durante a infância e vida adulta, os cenários apelativos, o guião bem escrito e trabalhado... As expectativas estavam altíssimas e, mesmo assim, foram superadas.


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