breakfast at tiffany's - truman capote

23:12:00


Nos últimos seis meses, todos os livros que li vieram de feiras de antiguidades, ou bibliotecas - o que me fez começar a detestar a ideia de comprar livros novos em folha. A minha raiva por páginas amareladas e capas dobradas e gastas deu lugar a uma exigência por esses mesmos fatores, como se a narrativa que vem lá dentro e a sua capacidade de transmitir uma mensagem estejam proporcionalmente conectadas ao número de pessoas por quem aquele exemplar já passou. Ao vaguear por entre as prateleiras da biblioteca - sem saber bem o que procurava - deparei-me com uma edição de Breakfast at Tiffany's de 1998 (mais velha que eu) e, como seria de esperar, fui incapaz de ignorar aquela que foi a inspiração para o filme favorito de sempre.

Não foi de todo uma surpresa, pois para além de já conhecer o estilo literário de Truman Capote - comprei o A Sangue Frio por 1 euro (!) numa feira -, vi a adaptação cinematográfica da obra tantas vezes que já lhe perdi a conta. Por outro lado, Bonequinha de Luxo fez-me gostar ainda mais da pérola produzida por Blake Edwards em 1961, pois nunca antes conheci um filme que fosse tão fiel à história original, mudando apenas um único ponto, tão crucial que me deu a sensação agradável de ter a missão de escolher qual o desfecho que mais me encanta, no mundo já encantado de Holly Golightly.

A história inicia-se em Nova Iorque, quando o narrador - que só no filme descobrimos chamar-se Paul - volta ao bar de Joe Bell com a promessa de saber novidades sobre Holly - que ninguém poderia interpretar melhor que Audrey Hepburn -, a sua antiga e misteriosa vizinha, num retorno que o faz relembrar todas as maneiras em que a jovem mudou a sua vida. 

Breakfast at Tiffany's é tão fascinante como a sua personagem principal - que me deixou arrebatada nos seus longos monólogos onde explica porque é que não dá um nome ao gato, como é que funciona o seu amor e porque é que o único local onde é capaz de controlar a sua ansiedade é o Tiffany's, terminando com a frase:

"Oh, que se lixe, passa-me a guitarra que eu canto-te um fado num português impecável"

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