cinema: géneros cinematográficos
21:58:00
Ação: de entre os género contemporâneos, o mais comum - de maior apelo popular e sucesso comercial -, no entanto, a vítima de maior críticas negativas, devido à tendência para a repetição e estereotipização do enredo, à superficialidade e maniqueísmo - divisão vincada entre o bem e o mal - das temáticas.
É atribuída uma grande importância aos valores de produção:
a) vedetas famosas - que trazem consigo uma base fiel de fãs;
b) efeitos especiais - que tornam a história mais espetacular;
c) cenários sumptuosos - favorecem o encantamento.
No que à narrativa diz respeito, muitas "equações" são utilizadas recorrentemente: sequências de intensa ação, como perseguições, batalhas, duelos e explosões. As personagens são facilmente caracterizadas, recorrendo a fatores de simples descodificação como a indumentária e a fisionomia - existe pouco espaço para uma descrição complexa, porque a personagem está ao serviço da ação.
É um género cuja principal função é entreter - não discutir temáticas problemáticas, ou controversas.
Instaurou-se em meados dos anos 80 e revela semelhanças com outros estilos narrativas como o filme de guerra, de super-heróis e épico.
Exemplos: Kill Bill, The Dark Knight, The Revenant, Die Hard, V for Vendetta.
Comédia: o seu objetivo principal é provocar o riso, sendo por isso classificada como a forma a forma exemplar do hedonismo - prazer como bem supremo - cinematográfico. Utiliza como temáticas as fragilidades comuns no ser humano: vício, negligência, pompa, presunção, insensatez.
As suas maiores críticas abordam a falta de seriedade no desenrolar das temáticas. No que diz respeito à narrativa, são utilizados vários recursos, como:
a) o exagero;
b) o equívoco;
c) o absurdo;
d) o insólito;
e) o escatológico;
g) o anacrónico;
h) o agravamento;
i) o recrudescimento
j) a descontextualização;
k) o imprevisto.
Relativamente às suas diversas facetas, é possível dizer que a comédia se divide em várias modalidades, variando consoante o estilo de humor. Entre elas:
a) ironia;
b) sarcasmo;
c) gozo;
d) caricatura;
e) paródia;
f) sátira;
g) cáustico;
h) gracejo;
i) ridículo;
j) escárnio;
k) espirituoso.
Apresenta também muitos subgéneros, como a comédia romântica, a comédia dramática, a comédia verbal e a comédia slapstick.
Exemplos: The Goonies, Big Daddy, Small Time Crooks.
Drama: enquanto género, a sua maior qualidade emotiva é a seriedade e o seu objeto é o ser humano comum, explorando a complexidade emocional que ele tem potencial de apresentar. O registo discursivo tende a ser objetivo e analítico, ainda que exiba frequentemente funções críticas.
Procura passar uma mensagem de realismo e incentivar à reflexão e problematização social - que diz respeito ás normas e padrões vigentes na cultura corrente. A caracterização das personagens é incrivelmente complexa, visto que o papel principal do género incide sobre o modo de reação dos indivíduos a determinadas situações.
Apresenta um conjunto vasto de subgéneros, como por exemplo:
a) o drama social;
b) o drama bélico;
c) o drama psicológico;
d) o drama familiar;
e) o drama romântico;
f) o drama político;
g) o biopic.
f) o drama político;
g) o biopic.
Quando é abordado no cinema de autor tem um registo muito mais particular e profundo - drama metafísico, que carrega uma elevada densidade filosófica. O melodrama - conhecido por tearjerker - apresenta uma codificação discursiva muito própria, onde todos os elementos são integrados com um propósito: comover o público.
É o género mais abrangente - é muito fácil que um filme seja associado à categoria.
Exemplos: O Padrinho, Titanic, O Pianista, Voando Sobre Um Ninho de Cucos.
Fantástico: no contexto cinematográfico, pode caracterizar-se como sendo suficientemente convincente. Possui marcas de outros géneros - com o filme de aventuras, o terror e ação - e apresenta uma pluralidade de universos bastante variada (com bases religiosas, sobrenaturais, tecnológicas, com génese em épocas passadas, ou futuras, etc...).
É um género que desafia as relações causa-efeito previamente estabelecidas pela realidade, pois as leis do mundo são quebradas, ao mesmo tempo que se criam novas explicações que possam servir a narrativa com sucesso. Está bastante ligado ao sobrenatural - as personagens possuem poderes metafísicos e a história está alheia às leis naturais.
Abrindo um convite a mundos desconhecidos, onde o impossível se torna plausível, o género vai buscar material a várias fontes:
a) pré-história;
b) época medieval;
c) locais naturais e exóticos;
d) bandas desenhadas e literatura.
Exemplos: O Feiticeiro de Oz, Hobbit, A Múmia.
É um género que desafia as relações causa-efeito previamente estabelecidas pela realidade, pois as leis do mundo são quebradas, ao mesmo tempo que se criam novas explicações que possam servir a narrativa com sucesso. Está bastante ligado ao sobrenatural - as personagens possuem poderes metafísicos e a história está alheia às leis naturais.
Abrindo um convite a mundos desconhecidos, onde o impossível se torna plausível, o género vai buscar material a várias fontes:
a) pré-história;
b) época medieval;
c) locais naturais e exóticos;
d) bandas desenhadas e literatura.
Exemplos: O Feiticeiro de Oz, Hobbit, A Múmia.
Ficção Científica: um género cinematográfico que revela estranheza teórica. Caracteriza-se pelo paradoxo entre o rigor factual e a liberdade criativa, ainda que o ponto de partida seja sempre o conhecimento científico - todas as consequências que dele advêm são apenas verosímeis.
Existe um apelo ao desconhecido e um questionamento das consequências dos avanços tecnológicos - preocupação com o futuro - e, como o seu objecto principal são as gerações futuras, essa realidade é projectada em diversas dimensões:
a) cenários;
b) objetos;
c) personagens.
As distopias - antónimo de utopia - são comuns, pois é um género tipicamente pessimista. A sua era de ouro ocorreu em 1950, devido ao medo que reinava sobre a Guerra Fria.
Exemplos: Avatar, Inteligência Artificial, Star Wars.
Film Noir: a classificação de film noir enquanto género cinematográfico não é consensual - alguns autores afirmam que se trata apenas de um estilo comum no período clássico americano. No entanto, existe uma temática estilística e narrativa consistente e familiar em várias obras do cânone que justificam a atribuição da denominação.
Tratando-se de uma mutação dos filmes de gangsters dos anos 30 do século XX, o film noir instaurou-se entre 1940 e 1950 e, apesar de exercer influência em várias obras atuais, caiu em desuso.
É um género de fácil percepção visual:
a) fotografia a preto e branco e altamente contrastada;
b) fortes oposições de claro e escuro.
(influência do expressionismo alemão)
As temáticas comuns consistiam na traição, crime, cinismo, fatalidade, etc... e o jogo de sombras era utilizado como método de explorar o lado negro das personagens. É típico encontrar nestas obras o anti-herói e a femme fatale & a utilização de uma voz off no papel de narrador - que explica toda a vulnerabilidade do protagonista e o conflito central da trama.
Exemplos: The Maltese Falcon, Sin City, Touch Of Evil
Musical: um género que atribui à banda sonora o papel central. A música é vista como uma maneira de desenvolver a narrativa, não se sobrepondo ao guião com um papel exterior, mas estando intrinsecamente conectada com a história das personagens.
Os momentos musicais - canto, ou dança - são a característica diferenciadora do género, sendo utilizados como meio de expressão dos intervenientes na cena - através deles são expostos sentimentos, pensamentos e decisões - e funcionando também como modo de caracterização. Vários valores de produção são exaltados:
a) coreografias sofisticadas de grande dimensão;
b) cenários grandiosos;
c) paleta de cores espetacular.
A era de ouro do musical ocorreu nos anos 30, 40 e 50 do século XX, porque funcionava como uma maneira de escape a um período de grave crise. Em relação à narrativa, de salientar o eufemismo presente na descrição da sociedade, o otimismo que resulta sempre no final feliz, o romance e humor.
É um género várias vezes revisitado - novas versões atualizadas de clássicos antigos são constantes - e marcado por três fases distintas: a primeira, onde as produções da Broadway eram a maior inspiração para os produtores de cinema; a segunda, onde os momentos musicais foram plenamente integrados no guião e; a terceira, o período pop, onde as músicas comerciais substituem a estética musical clássica.
Exemplos: My Fair Lady, West Side Story, Moulin Rouge.
Terror: a sua maior característica - e o fator que mais peso tem no seu fascínio - está no incómodo e desconforto que causa no espectador. O objetivo de um filme de terror é sempre provocar um efeito emocional, quer seja medo, repulsa, choque, etc...
Essa pluralidade de reações é retratada pelas mais variadas personagens: lobisomens, vampiros, assassinos, fantasmas, demónios, entre outros - o que dá ao género uma grande liberdade criativa e, ao mesmo tempo, permite a instauração de clichés. Na década de 1930 - depois do terror já ter triunfado na Alemanha - a América produziu imensas referências cinematográficas, como Drácula e Frankenstein e, quarenta anos mais tarde, começou a ser implementada no género uma estética mais violenta, onde, desde então, os limites não têm parado de ser desafiados.
Existe uma grande variedade de conceitos narrativos e de heróis e vilões, o que explica a amplitude do terror cinematográfico e a sua mistura com outros géneros como o fantástico, a ficção científica e o thriller.
Como principais aspetos a destacar estão:
a) o foco na vítima - pois espera-se que o espetador se reveja no seu lugar;
b) retrato explícito e amplificado da violência (física ou psicológica) que a mesma sofre.
Exemplos: O Exorcista, It, Saw.
Thriller: um dos géneros mais apreciados pelo público, devido à sua intensidade e complexidade e ao modo como o espectador cria conexões com o enredo. O thriller tem um modo de funcionamento e organização próprios que assentam na:
a) intenção de provocar nervosismo na audiência, tornando os momentos de suspense perturbadores;
b) instauração de uma dúvida constante sobre o desfecho final;
c) a sugestão de hipóteses prováveis que são constantemente revogadas.
Trata-se de um movimento cinematográfico que põe à prova a inteligência criativa e o padrão de crenças dos espetadores dando à incerteza o papel principal - a tensão dramática é bastante forte no género.
Em termos narrativos, situações de risco são o "cenário" mais comum, onde os momentos de alívio são quase inexistentes - o perigo é constante. Cenas de perseguição são frequentemente trabalhadas - criando um ponto comum com os filmes de ação, bem como policiais, mistério e terror - e os personagens agem dentro de um sistema contra-relógio, tentando sair de um "labirinto" e resolver o desafio principal (ambos estes fatores contribuem para o jogo mental no qual o protagonista e o espetador foram apanhados).
Consideram-se os primeiros filmes de perseguição como a origem do género e Alfred Hitchcock como o "pai" do thriller.
Exemplos: O Silêncio dos Inocentes, Cisne Negro, Seven.
Western: o género clássico por excelência que, ao contrário de todos os outros, é uma criação totalmente cinematográfica. Desempenhou um papel fundamental na criação da ideia de identidade norte-americana - ainda que os famosos duelos entre índios e cowboys estejam longe da realidade.
Trata-se de uma versão embelezada do Oeste dos Estados Unidos da América, que procura transmitir a mensagem de:
a) expansão da civilização;
b) criação de um sistema legislativo;
c) retrato das populações indígenas (feito de maneira completamente distorcida).
Existe, por esse motivo, uma dualidade bastante forte entre o colono - que representa a ordem, a lei e a harmonia - e o nativo - que representa a selva, a bandidagem e o caos - e nesse confronto reside toda a narrativa. Está também presente um conjunto de fatores frequentemente abordados, como as batalhas em campo aberto, os duelos no saloon, o cowboy solitário rumo ao pôr do sol e a maquilhagem e indumentária muito características.
Exemplos: O Bom, O Mau e O Vilão, Johnny Guitar, Stagecoach.
Provérbios 6:6"
Existe um apelo ao desconhecido e um questionamento das consequências dos avanços tecnológicos - preocupação com o futuro - e, como o seu objecto principal são as gerações futuras, essa realidade é projectada em diversas dimensões:
a) cenários;
b) objetos;
c) personagens.
As distopias - antónimo de utopia - são comuns, pois é um género tipicamente pessimista. A sua era de ouro ocorreu em 1950, devido ao medo que reinava sobre a Guerra Fria.
Exemplos: Avatar, Inteligência Artificial, Star Wars.
Film Noir: a classificação de film noir enquanto género cinematográfico não é consensual - alguns autores afirmam que se trata apenas de um estilo comum no período clássico americano. No entanto, existe uma temática estilística e narrativa consistente e familiar em várias obras do cânone que justificam a atribuição da denominação.
Tratando-se de uma mutação dos filmes de gangsters dos anos 30 do século XX, o film noir instaurou-se entre 1940 e 1950 e, apesar de exercer influência em várias obras atuais, caiu em desuso.
É um género de fácil percepção visual:
a) fotografia a preto e branco e altamente contrastada;
b) fortes oposições de claro e escuro.
(influência do expressionismo alemão)
As temáticas comuns consistiam na traição, crime, cinismo, fatalidade, etc... e o jogo de sombras era utilizado como método de explorar o lado negro das personagens. É típico encontrar nestas obras o anti-herói e a femme fatale & a utilização de uma voz off no papel de narrador - que explica toda a vulnerabilidade do protagonista e o conflito central da trama.
Exemplos: The Maltese Falcon, Sin City, Touch Of Evil
Musical: um género que atribui à banda sonora o papel central. A música é vista como uma maneira de desenvolver a narrativa, não se sobrepondo ao guião com um papel exterior, mas estando intrinsecamente conectada com a história das personagens.
Os momentos musicais - canto, ou dança - são a característica diferenciadora do género, sendo utilizados como meio de expressão dos intervenientes na cena - através deles são expostos sentimentos, pensamentos e decisões - e funcionando também como modo de caracterização. Vários valores de produção são exaltados:
a) coreografias sofisticadas de grande dimensão;
b) cenários grandiosos;
c) paleta de cores espetacular.
A era de ouro do musical ocorreu nos anos 30, 40 e 50 do século XX, porque funcionava como uma maneira de escape a um período de grave crise. Em relação à narrativa, de salientar o eufemismo presente na descrição da sociedade, o otimismo que resulta sempre no final feliz, o romance e humor.
É um género várias vezes revisitado - novas versões atualizadas de clássicos antigos são constantes - e marcado por três fases distintas: a primeira, onde as produções da Broadway eram a maior inspiração para os produtores de cinema; a segunda, onde os momentos musicais foram plenamente integrados no guião e; a terceira, o período pop, onde as músicas comerciais substituem a estética musical clássica.
Exemplos: My Fair Lady, West Side Story, Moulin Rouge.
Terror: a sua maior característica - e o fator que mais peso tem no seu fascínio - está no incómodo e desconforto que causa no espectador. O objetivo de um filme de terror é sempre provocar um efeito emocional, quer seja medo, repulsa, choque, etc...
Essa pluralidade de reações é retratada pelas mais variadas personagens: lobisomens, vampiros, assassinos, fantasmas, demónios, entre outros - o que dá ao género uma grande liberdade criativa e, ao mesmo tempo, permite a instauração de clichés. Na década de 1930 - depois do terror já ter triunfado na Alemanha - a América produziu imensas referências cinematográficas, como Drácula e Frankenstein e, quarenta anos mais tarde, começou a ser implementada no género uma estética mais violenta, onde, desde então, os limites não têm parado de ser desafiados.
Existe uma grande variedade de conceitos narrativos e de heróis e vilões, o que explica a amplitude do terror cinematográfico e a sua mistura com outros géneros como o fantástico, a ficção científica e o thriller.
Como principais aspetos a destacar estão:
a) o foco na vítima - pois espera-se que o espetador se reveja no seu lugar;
b) retrato explícito e amplificado da violência (física ou psicológica) que a mesma sofre.
Exemplos: O Exorcista, It, Saw.
Thriller: um dos géneros mais apreciados pelo público, devido à sua intensidade e complexidade e ao modo como o espectador cria conexões com o enredo. O thriller tem um modo de funcionamento e organização próprios que assentam na:
a) intenção de provocar nervosismo na audiência, tornando os momentos de suspense perturbadores;
b) instauração de uma dúvida constante sobre o desfecho final;
c) a sugestão de hipóteses prováveis que são constantemente revogadas.
Trata-se de um movimento cinematográfico que põe à prova a inteligência criativa e o padrão de crenças dos espetadores dando à incerteza o papel principal - a tensão dramática é bastante forte no género.
Em termos narrativos, situações de risco são o "cenário" mais comum, onde os momentos de alívio são quase inexistentes - o perigo é constante. Cenas de perseguição são frequentemente trabalhadas - criando um ponto comum com os filmes de ação, bem como policiais, mistério e terror - e os personagens agem dentro de um sistema contra-relógio, tentando sair de um "labirinto" e resolver o desafio principal (ambos estes fatores contribuem para o jogo mental no qual o protagonista e o espetador foram apanhados).
Consideram-se os primeiros filmes de perseguição como a origem do género e Alfred Hitchcock como o "pai" do thriller.
Exemplos: O Silêncio dos Inocentes, Cisne Negro, Seven.
Western: o género clássico por excelência que, ao contrário de todos os outros, é uma criação totalmente cinematográfica. Desempenhou um papel fundamental na criação da ideia de identidade norte-americana - ainda que os famosos duelos entre índios e cowboys estejam longe da realidade.
Trata-se de uma versão embelezada do Oeste dos Estados Unidos da América, que procura transmitir a mensagem de:
a) expansão da civilização;
b) criação de um sistema legislativo;
c) retrato das populações indígenas (feito de maneira completamente distorcida).
Existe, por esse motivo, uma dualidade bastante forte entre o colono - que representa a ordem, a lei e a harmonia - e o nativo - que representa a selva, a bandidagem e o caos - e nesse confronto reside toda a narrativa. Está também presente um conjunto de fatores frequentemente abordados, como as batalhas em campo aberto, os duelos no saloon, o cowboy solitário rumo ao pôr do sol e a maquilhagem e indumentária muito características.
Exemplos: O Bom, O Mau e O Vilão, Johnny Guitar, Stagecoach.
"Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio!












0 comentários