o circo da noite - erin morgenstern & livros mágicos

16:51:00

Começo esta frase com o conhecimento que tenho escrito muito mais sobre livros do que em qualquer outro momento, na pequena história deste blog - mesmo que um dos meus propósitos principais fosse falar de literatura, sentia-me como que a fugir cada vez mais ao tema. No entanto, 2020 chegou e voltei a ser leitora psicótica que era em criança, ainda que ligeiramente pior: ao amor por histórias e narrativas, somou-se o esteticismo que herdei de  O s c a r   W i l d e  mal terminei o primeiro capítulo de O Retrato de Dorian Gray, tornando-me em alguém que lê um livro e fica completamente imersa num ambiente meio baseado nas palavras do autor, meio criado por mim. Por isso, este ano, sou uma fã assumida de obras que me permitem transformar o seu interior num conto de fadas. 

Li  O   C i r c o   d a   N o i t e  há um ano e não disse nada sobre ele, porque estava a esconder-me do separador literário que eu própria criei. Não o tenho comigo, voltou para a estante da biblioteca onde reside, e de certeza absoluta que o intervalo de tempo entre julho de 2019 e setembro de 2020 foi suficiente para esquecer pormenores e detalhes que outrora adorei e elogiei. Ainda assim, ele pertence aqui. Porque ler O Circo da Noite foi o mais perto da magia que já me senti.

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O circo aparece por acaso - sem que ninguém o conheça, ou espere por ele - e desaparece da mesma maneira. Cheio de atrações que desafiam as leis naturais do universo, Le Cirque des Rêves é um cenário a preto e branco para uma aventura inesquecível. No entanto, esconde dois segredos: Celia e Marco, jovens feiticeiros destinados a competir um contra o outro, numa batalha mortal que eles não escolheram. 

O que acontece quando percebem que o amor da sua vida é também o seu maior inimigo?

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Não é um romance, ainda que exista um casal a ocupar o lugar central nas suas páginas. É o espaço que existe entre Celia e Marco que torna o livro tão especial - foi aí que nasceu o circo (com todas as descrições fenomenais que lhe são atribuídas), e foi ali que as restantes personagens foram buscar a sua própria luz. O espaço entre Celia e Marco não lhe pertence - à semelhança das suas vidas -, porque ganhou uma dimensão tão surreal que deu vida e propósito a tudo o resto que passeia pela narrativa ocupando uma posição secundária. 

Talvez por isso, O Circo da Noite seja magia em estado puro - é tudo, sem ser alguma coisa. Como um sonho, que se desenrola ao nosso redor - e é tão fácil de visualizar que chegamos ao final com a certeza que também lá estivemos.

Imperdível. Mesmo 365 dias depois. 

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