Amizades e os seus Detalhes

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Fazemos imensas amizades durante a vida. Aquela criança que no infantário gostava de jogar ao mesmo jogo de tabuleiro que nós, aquela miúda que no segundo ano também utilizava o lápis azul para escrever o nome no canto do seu mais recente desenho, o cúmplice que no ensino básico sabia quem era a nossa paixão platónica. Há casos onde essas três pessoas são apenas uma, algo que não aconteceu comigo, talvez porque é natural que aconteça um certo distanciamento quando os caminhos, que um dia percorremos juntos, se separam e deixamos de ter tantas coisas em comum como antigamente. Quanto mais crescemos, mais nos conhecemos e mais sabemos o tipo de pessoas que queremos que nos rodeiem e, ao mesmo tempo, mais estamos dispostos a partilhar os nossos segredos e criar uma conexão real que forma uma espécie de um vínculo indestrutível.

Há amor em amizade. Algo que não sabemos bem quando somos mais novos, porque pensamos que amor é o que se vê nos filmes lamechas que dão na televisão e não pode ser mais nada que isso. É uma das tais coisas que aprendemos ao crescer. Vamos percebendo a pouco e pouco que amizade é sinónimo de proteção e de ajuda e vamos excluindo quem lentamente nos faz perceber que o nosso bem não é uma prioridade. É a ligeira (mas enorme) diferença entre o "quero o melhor para ti, mas não quero que estejas melhor que eu" e o "quero o melhor para ti, independentemente de tudo".

Durante imenso tempo acreditei em amizades de brincadeira, porque, honestamente, sempre fui o tipo de pessoa ingénua que pensa que os outros fazem por mim o que eu faria por eles (algo que finalmente aceitei como culpa minha, porque eu é que lhes coloquei tais expectativas nos ombros) e quando me vi sozinha comecei a saber analisar padrões e comportamentos que ainda agora me ajudam a distinguir as pessoas tóxicas daquelas que são verdadeiramente positivas.

E assim anda uma pessoa, tentando encontrar quem é e quem quer ao seu lado. Felizmente, hoje posso afirmar que encontrei um grupo de (extraordinárias) pessoas por quem sou capaz de mover montanhas e que já me deram provas que também as movem por mim. Este Natal, pela primeira vez, decidimos fazer um pequeno jogo do "amigo secreto" e tentar surpreendermos-nos uns aos outros. Marcámos um encontro para umas semanas depois da celebração e, quando finalmente nos reunimos, foi como todas as vezes, um momento que nos deixou a todos com o coração quentinho e cheio de amor e confesso que dei por mim várias vezes a pensar o quanto os adoro e o quão sortuda sou por tê-los a meu lado. Não demos presentes extravagantes, mas trocamos lembranças que provaram que nos conhecemos muito bem e que pensámos bastante no significado daquilo que íamos oferecer, não dando nada apenas "porque sim".

Foram os desabafos entre as inúmeras chávenas de café que uns adoram e outros odeiam (não percebo como é possível alguém não apreciar café), foram os sorrisos da senhora sentada na mesa ao lado da nossa, que comia o seu almoço ao mesmo tempo que nos observava e dava graças aos céus por nesta geração ainda existirem amizades verdadeiras (porque é que os mais velhos acham que somos uma geração perdida?), foram as descrições realizadas antes de entregar os saquinhos com desenhos natalícios e as reacções ao descobrir o que estava dentro deles (é tão bom saber que podemos dar 100% de nós a alguém e não ter medo que nos julguem).

Porque na amizade há amor e porque a minha nova caneca da Wonder Woman não representa só a minha obsessão gigante por super-heróis, mas também me relembra que encontrei os meus melhores do mundo.

(Para a Natália, a Leonor, o Luís, a Ludmila. a Catarina, a Inês, a Macau, a Sara, a Beatriz e a Sofia) 




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4 comentários

  1. "...sempre fui o tipo de pessoa ingénua que pensa que os outros fazem por mim o que eu faria por eles (algo que finalmente aceitei como culpa minha, porque eu é que lhes coloquei tais expectativas nos ombros)...". Nem imaginas o quanto me identifico com esta frase.

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  2. Eu fui perdendo a ingenuidade com o passar dos anos. Mas conservo amigos de infância.

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  3. Eu perdi bastantes amizades por isso mesmo, por já não existir muito em comum como antes! Mas mantenho muitos amigos de infância :D

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  4. Que lindo texto. Adorei. Eu também odeio café :) Beijinho

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